quinta-feira, outubro 14, 2010

A Mãe de todas as mentiras

Sebastião Nery

PARIS – Em dezembro de 1964, nove meses depois do golpe militar, o general De Gaulle, presidente da França, foi ao Brasil, cumprindo a visita programada desde o governo de João Goulart. O presidente já era o general golpista nomeado, Castelo Branco. Recepcionado no Congresso, De Gaulle quis conhecer o então líder do PTB na Câmara, deputado Doutel de Andrade :

- Deputado, na realidade aqui me encontro a convite do presidente João Goulart, chefe de seu partido. (E pediu a Doutel informações sobre a saúde de Jango e as condições de seu exílio no Uruguai).

De Gaulle
De Gaulle deixou o governo em abril de 1969. Morreu logo depois, em novembro de 1970, com 80 anos. Tinha nascido em novembro de 1890. Mesmo depois de 14 anos de François Mitterrand presidente, até hoje a França vive sobretudo entre as idéias e legados políticos dos dois.

Quando Mitterrand, do Partido Socialista, ganhou a presidência em 1981, derrotando Giscard d`Estaing, que tinha sido ministro das Finanças de De Gaulle, dizia-se que a “Era De Gaulle” tinha definitivamente passado.

Engano. Em 1985, seus discípulos da UPF (União Pela França) fizeram maioria na Assembléia Nacional e assumiram o governo com Jacques Chirac de primeiro ministro. Mitterrand reelegeu-se presidente em 88 e em 89 os socialistas ganharam a Assembléia Nacional e portanto também o governo.

Saiu Mitterrand depois do segundo mandato,quem ganhou a presidência foi Chirac e quem ganhou o governo também foram os herdeiros de De Gaulle

Liberalismo E Comunismo
De Gaulle deixou uma pequena Bíblia politica (“Doctrine Politique”, Ed. Du Rocheur, 1948). Já fora do primeiro governo (1944 a 46), ele dizia:

1. “O que se fez economicamente no mundo foi um sistema que se

chamava liberalismo e grandes coisas foram feitas, é evidente. Mas também é evidente que o liberalismo, tal como era visto ontem, tornou-se uma coisa inconcebível, insuportável para o mundo e especialmente para a França hoje. O velho liberalismo não é o caminho economico e social para a França”.

2. – “Nem o velho liberalismo nem o comunismo esmagador. Deve ser outra coisa. Há uma terceira solução : a participação, que muda a condição do homem. A questão social tem que ser colocada em primeiro lugar”.

Esquerda e Direita
3. – “A esquerda me abandonou no dia seguinte da libertação, depois da derrota nazista, porque ela é contra o Estado. A direita me abandonou logo depois porque ela é contra o povo. Na direita, diz-se que faço uma política de esquerda. Na esquerda, diz-se que estou aqui para a direita, para os monopólios. O fato de uns e outros dizerem que pertenço ao outro lado prova precisamente que não sou de um lado nem do outro. Sou pela França” (1953).

4. – “Um dia, a Europa toda inteira se reencontrará na liberdade. Nós nos reencontraremos com os paises do Leste à medida que eles saiam de suas esmagadoras dominações. Veremos a esperança renascer do Atlântico aos Urais” (1950). Os povos têm direito de disporem inteiramente de si. Não para enriquecer oligarquias internas e externas, mas para libertar o homem” (1964)

40 anos depois, em 1990, consumou-se a profecia de De Gaulle.

Lula
As nações são construídas pelos grandes homens que sabem lidera-las. E isso só se consegue pela verdade. A mentira não faz a Historia. O PT e o governo Lula despejaram sobre a Europa, nas ultimas semanas, um tsunami de mentiras, através de revistas e cadernos especiais de jornais, para dizer que “Lula tem o apoio de mais de 80% do povo brasileiro”.

O “Le Monde”, o mais importante e respeitado jornal da França, chegou a publicar uma matéria “especial” afirmando que “apenas 4% não apóiam o governo Lula”. “Le Fígaro”, o maior jornal do pais, um Globão, escreveu coisas parecidas. Explica-se. O “Fígaro”, dono também da revista “Express”, pertence a Jorge Dassault, um dos três maiores empresários franceses, que fabrica os aviões Air-Bus e os Raffale, que a França quer vender ao Brasil.

Fraude
Políticos e jornalistas leram. Para eles, Dilma já estava eleita. E veio a grande surpresa : Dilma só tinha 46,9%. Logo, Lula, seu governo e sua candidata tinham menos da metade do apoio da população. Não podiam ter de 78% a 96% de apoio. Era tudo uma grande fraude.A mãe de todas as mentiras.

Na “Folha” (“Erros Sobre Erros”), o Mauro Paulino, diretor do “Data-folha”,a mais respeitada das pesquisas, rebola para tentar denunciar as fraudes:

- “Aos erros de resultados das pesquisas, somaram-se outros... Especialistas se embananaram...E isso amplificou o clima de erro generalizado das pesquisas... Um instituto (o Vox Populi) transformou seus números e analises em ferramentas de campanha... Outros (Ibope) escamoteiam erros com contas enganosas...O prestigio das pesquisas saiu arranhado”.

Faltou dizer quantos milhões os “fraudulentos” receberem pelas fraudes.