sexta-feira, outubro 22, 2010

Por que a violação dos sigilos agora?

Adelson Elias Vasconcellos

Apesar de não haver nenhuma lei que impeça a divulgação de um documento que é público, o Supremo Tribunal Militar – STM, de forma arbitrária, descabida e injustificável continua sentado no processo de Dilma Rousseff que determinou sua prisão pelo regime militar.

Não divulga, não justifica, e pronto. Alguém precisa avisá-los que o regime militar acabou em 1985 e, deste modo, sonegar à sociedade a divulgação de um documento público, coloca sobre esta turma suspeitas estranhas.

De outro lado, a Polícia Federal e a Casa Civil pediram mais tempo para concluírem suas investigações sobre o Bolsa Erenice e o tráfico de influência com direito a taxa de sucesso, ao tempo que a braço direito de Dilma a substituiu. Como PT esperava levar a eleição no primeiro turno, e não levou, entende-se que o adiamento, para depois do segundo turno, é outra protelação para que não se investigue nada.

Aí, depois da eleição, supondo que a vitória seja de Dilma, o governo vai alegar que se o PSDB pressionar pelas investigações, o governo, por certo, alegará que os tucanos querem armar o circo de um terceiro turno, ou querendo ganhar no tapetão. É a típica encenação do governo organizado para o crime. E, claro, dado o interesse do governo em jogar o resultado da investigação para depois da eleição, é demonstrativo de que tudo o que se noticiou era verdadeiro.

Ontem, assistimos mais um capítulo do triste espetáculo proporcionado por Lula que denigre a imagem das instituições brasileiras. Armou-se um circo dentro do Planalto, na questão dos sigilos, para jogarem no colo de Aécio o crime de violação de sigilo de Serra e família, além de outros dirigentes do partido.

Nas diferentes reportagens que já publicamos, ficou claro que a encenação não faz o menor sentido e, dado o que se noticiou hoje, pelo Estadão e pela Veja, o governo reduziu a Polícia Federal, uma instituição de Estado, a um departamento policial de governo. Incrível. O bom é que, ao contrário da versão mentirosa de Lula – sua maior característica, por sinal – os fatos demonstram claramente que foi do comitê de campanha de Dilma quem partiu a iniciativa de se apossarem dos sigilos fiscais dos tucanos, aliás, exatamente o que a Folha de São Paulo já havia informado. Já que a Polícia Federal não quer cumprir o seu papel, é de esperar-se que o Ministério Público consiga reverter o cheiro de pizza armada por Lula com a conivência vergonhosa da PF. Como se vê, foi dado mais um passo para a decomposição institucional do país.

Nesta questão dos sigilos, eu tenho uma teoria. É a seguinte: o governo Lula, ao apressar o inquérito da PF tinha em mente acertar três coelhos com um só tiro. Explico:

a) primeiro, encerrar logo o inquérito para que o fantasma não assombrasse a candidatura Dilma, porque o que interessava adiar era o caso de Erenice, porque este provoca maiores estragos na candidatura governista.

b)Da forma como encerrou as investigações das violações fiscais dos tucanos, o governo tenta afastar as suspeitas sobre o comitê de campanha da Dilma sobre a encomenda do crime.

c) Ao melhor estilo petista, acaba culpando a própria vítima – Serra e outros tucanos – e, de bonificação, joga uma intriga entre Aécio e Serra ao dizer que as violações foram na época que os dois tucanos disputavam pela oficialização, de um ou outro, a candidatura de oposição à sucessão de Lula.

Contudo, como mentira tem perna muito curta, acho que alguém esqueceu de combinar o roteiro do teatro com a Imprensa. Como a história soara muito estranha para os que conseguem pensar, em 24 horas a versão “oficial” foi prô brejo. Hoje, mais do que nunca, o comitê de campanha de Dilma está debaixo do tiroteio.

O lance, ou alvo, era criar um fato novo, que mudasse o foco de atenção sobre outro crime envolvendo a ex-ministra Dilma. Suas relações perigosas e criminosas com Valter Cardeal, e o todo o tráfico de influência que a relação provocou, conforme reportagem da revista Época, e que nós aqui reproduzimos. (clique aqui)

Ou seja, os dois crimes que poderiam fazer Dilma Rousseff despencar na preferência do eleitorado, foram afastados, por enquanto, da atenção do noticiário. Claro que o PSDB deve cuidar da questão dos sigilos, mas este é um assunto que pouco peso político tem junto ao eleitorado. A maioria nem sabe o que é sigilo, e muito menos ainda são os que tomaram conhecimento do assunto.

Não sou político nem candidato a nada. Mas fosse candidato, trabalharia a campanha em três frentes: a de se relacionar os crimes cometidos pelo governo Lula e jogados prá debaixo do tapete, os crimes cometidos com Dilma Rousseff como ministra e feitos debaixo de seu nariz e da apresentação de um projeto de governo que atacasse, diretamente, questões cruciais ao interesse do eleitorado.

Acho que se perde tempo demasiado na campanha, com coisas de menor importância. Serra não precisa mais ficar exibindo seu currículo, já que ele é mais conhecido no país do que a própria Dilma. Como também, sua capacidade gerencial também está comprovada pelo fato de ter feito seu sucessor no governo paulista e seu governo gozar de aprovação dos paulistas. Discuta-se o país e seus problemas, apresentando soluções, mostre-se a outra cara do governo Lula que poucos sabem – os serviços públicos -, e mostrem que a Casa Civil, com Dirceu e Dilma, se transformou num covil de negociatas, trapaças e tráfico de influência para as maracutaias dos amigos do rei. Mostre-se que o PAC é uma farsa, que o programa Luz Para Todos é sucedâneo de outro criado por FHC e que, nesta versão lulista, sequer atingiu metade do que está previsto, mostre-se o descontrole que se acentua, dia a dia, sobre os gastos públicos, mostre-se as privatizações do que eram antes, e do que são hoje, mas isto feito com correção, com linguagem clara, sem rodeios, com objetividade e de forma a que o brasileiro médio se dê conta da mentira que o PT e Lula contam. Não há o que esconder. O Brasil não teria alcançado o êxito de seu programa de estabilização econômica tivessem aquelas empresas continuado em poder do estado.

Como não sou marqueteiro, nem concorro a cargo algum, me proponho apenas a contar a verdade da história em meu blog. Procuro esclarecer e, com o esclarecimento, desmitificar os farsantes que o país aplaude. A oposição hoje, muito mais do que em 2006, tinha uma grande chance de varrer o PT do governo federal. E isto faria um bem danado ao país, principalmente, suas instituições, muitas das quais, bastante fragilizadas e empobrecidas sob o governo Lula.

E aqui uma reflexão: provamos ontem, em NÚMEROS OFICIAIS, que o governo FHC fez mais e melhor que o governo Lula. Sei que muitos sequer se preocupam em pesquisar, mas cumpro o meu papel. Leiam a série de artigos publicados e confiram lá. Ora, se Lula recebeu um país melhor, casa organizada, estado modernizado, contas públicas saneadas, inflação dominada, programas sociais em pleno vigor, com o crescimento da economia mundial acima de 8% ao ano, em média, como explicar que o país tenha crescido abaixo desta média? E, mesmo assim, teria por obrigação fazer mais, muito mais. Tinha plenas condições para isso: então, por que não fez? Por que a saúde pública está um caos? Por que a infraestrutura continua asfixiando o desenvolvimento do país? Por que a educação, na qual se jogam bilhões e bilhões todos os anos, não consegue evoluir em qualidade? Por que a segurança pública regrediu? Por que as reformas estruturais foram deixadas de lado? Santo Deus, o que não falta é prova de um governo que foi competente em manter aquilo que encontrou, e onde precisou, de fato, avançar, simplesmente estacionou e, no institucional, creio até que regrediu.

Era fácil desmontar todo o discurso petista, até porque, por ser oposição, a ela competia impor a agenda de temas. Quanto veio ao ar o tema aborto, ali o eleitorado dava seu recado: a de que esta eleição se decidiria no campo dos valores, e não da economia, do assistencialismo, ou dos currículos. Na relação que estou montando de escândalos patrocinados e ocorridos dentro do governo Lula, a lista está em 120 casos, e nem cheguei ao segundo semestre de 2009!

Mas, como disse, nem sou candidato nem marqueteiro. Mas me parece que se a oposição não lograr êxito na corrida presidencial não deve culpar à central de ilegalidades instaladas pelo Planalto para fraudar as eleições. Deve culpar-se a si mesma. O exemplo mais claro disso é o tema privatização, velho dinossauro que Lula e o PT tentam usar contra o governo FHC: mostre-se os celulares, e o que eram os telefones antes da privatização da Telebrás, e visite-se algumas das empresas privatizadas e mostrem em números do antes e do depois. E jogue-se a isca para outro lado: a de que o interesse contra a privatização não era defender o patrimônio público, e sim o cabide empregos dos políticos tupiniquins, às custas da sociedade. Mostrassem o quanto de empregos, renda e novos investimentos o programa todo logrou em favor do país, e o PT, rapidinho, buscaria mudar de assunto. Mostrassem a longa lista de crimes abafados e acobertados pelo governo, a situação humilhante dos hospitais públicos, a precariedade das estradas, portos e aeroportos, e não haveria PAC capaz de encobrir as imagens da realidade. E poderiam dar o xeque mate mostrando as obras do Avança Brasil que Lula interrompeu e depois, copiou, recortou e colou no Pac. Fizessem isto no primeiro turno e não haveria Dilma ressuscitada no segundo turno.

Mas como disse, nem sou marqueteiro nem candidato. Assim...

De qualquer modo, Serra deve insistir não apenas nos sigilos violados, ou no caso Erenice que está sendo empurrado para baixo do tapete: mas o caso espinhoso do Valter Cardeal e suas relações com Dilma Rousseff. Ah, não esquecendo: o caso espinhoso para o PT chamado BANCOOP, onde o tesoureiro do partido e mais quatro, estão prestes a se tornarem réus. Senão é ir prá casa e esperar pela próxima vez.