quinta-feira, outubro 07, 2010

Sempre alinhado ao poder, PMDB deve dar maioria no Congresso tanto a Dilma quanto a Serra

Gabriel Castro, Veja online

Em eventual governo Dilma, base governista deve ultrapassar os 350 deputados

O PT não conseguiu eleger Dilma Rousseff no primeiro turno e não chegou a eleger, como queria, a maior bancada do Senado. Mas comemora um resultado histórico na Câmara dos Deputados: a partir de 2011, o partido será o maior da casa. Serão 88 deputados, contra 79 do PMDB, 53 do PSDB e 43 do DEM.

Num eventual governo Dilma, a base governista deve ultrapassar os 350 deputados. Hoje, são 338. Mas a diferença pode acabar nem sendo notada. Por um motivo simples: a maioria que Lula tem na casa já é confortável para aprovar a maior parte dos projetos.

O cientista político Paulo Kramer, professor da Universidade de Brasília (UnB), calcula que a maioria petista pode neutralizar um conflito que já de desenhava com os peemedebistas no Congresso, em caso de vitória de Dilma Rousseff: “A presidência, segundo as regras da casa, deverá caber ao PT, que já estava, antes da eleição, muito preocupado com aquilo que seria um excesso de poder concentrado nas mãos do PMDB”.

O líder do PT na Câmara, Fernando Ferro, confirma que a tendência é dividir as duas casas entre os aliados: “Nós temos claro que vamos partilhar com o PMDB a condução da Câmara e do Senado. O mais correto é dividir essa responsabilidade. Um partido assume numa casa, e outro partido em outra”. No Senado, o PMDB continua com a maior bancada e elegeria o presidente. O comando da Câmara ficaria com os petistas.

A discussão sobre as eleições ao comando da Câmara e do Senado começam a ganhar corpo. Nomes como o deputado Cândido Vaccarezza (PT) e o senador Romero Jucá (PMDB) já são citados como prováveis candidatos aos postos. A situação mudaria, no entanto, com uma hipotética derrota da petista na disputa à Presidência.

Governo Serra -
O cenário parece negativo mesmo é para um eventual governo José Serra. PSDB e DEM continuam com a terceira e a quarta bancadas, respectivamente. Mas perderam espaço. O PP, por exemplo, conquistou apenas duas cadeiras a menos do que os democratas.

Embora pareça crítica, a situação teria grandes chances de ser revertida. Assim como no Senado, bastaria a Serra cumprir uma tarefa que não parece das mais difíceis: atrair o PMDB, o PP e o PR para a base aliada. “Acho facílimo fazer maioria. São partidos que tradicionalmente tem a fome pelo poder no DNA”, diz o líder do PSDB na Câmara, João Almeida – ele próprio, um dos tucanos que não conseguiram a reeleição.

Neste caso, todavia, o governo teria maioria, mas não teria sossego: José Serra precisaria enfrentar a robusta bancada do PT, de volta à oposição.

Incertezas -
Todo esse cenário ainda pode sofrer alterações: puxadores de voto como Tiririca (PR) e Paulo Maluf (PP) podem ter a candidatura anulada e deixar fora da Câmara parlamentares que seriam eleitos de “carona”. Nesse caso, o cálculo do coeficiente eleitoral seria refeito, o que mudaria a divisão das cadeiras na Câmara. E pode demorar até que o Congresso tenha seu desenho definitivo.

“Pelo andar da carruagem, a gente talvez não tenha uma visão clara de quem é quem até abril, maio do ano que vem. O presidente ficará num certo impasse”, diz Kramer. Para aumentar o grau de incerteza, as bancadas serão mais pulverizadas na próxima legislatura. Treze partidos elegeram menos de 20 parlamentares. Juntos, eles somam 114 deputados. Em 2006, os nanicos conquistaram 74 cadeiras.