quinta-feira, outubro 07, 2010

Terroristas da ETA treinando na Venezuela? Quem diz é um juiz de uma alta corte da Espanha

A Espanha tem um governo sério, capitaneado pelo primeiro-ministro socialista José Luis Rodríguez Zapatero.

Não pediria explicações à Venezuela do coronel Hugo Cháves sobre o eventual treinamento que receberam no país terroristas da ETA, a organização ilegal que quer separar o País Basco da Espanha com base na violência armada, se os indícios não fossem sérios.

Tampouco o jornal de centro-esquerda El País, o mais respeitado da Espanha, que divulgou a informação sobre o iminente pedido de explicações, tem reputação de irresponsável.

O fato concreto é que dois “etarras” — como se chamam na Espanha os terroristas bascos –, Juan Carlos Besance e Xabier Atristain, foram presos na quarta-feira passada no País Basco e, durante interrogatório, confessaram ao juiz Ismael Moreno que receberam treinamento na Venezuela em 2008.

TAMBÉM COM OS TERRORISTAS DAS FARC — O juiz integra um tribunal da Espanha denominado Audiência Nacional, que tem entre suas competências a de crimes cometidos no exterior que afetem os interesses espanhóis.

Dias antes, outro juiz da Audiência, Eloy Velasco, havia acusado o governo Chávez, com base em documentos e depoimentos, de colaborar com terroristas da ETA e também das chamadas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), organização criminosa que sobrevive à base de assaltos, sequestros e tráfico de drogas, num processo contra vários cidadãos espanhóis e latino-americanos que tramariam atentados contra altos funcionários colombianos — diplomatas, adidos militares e outros representantes — na Espanha.

Se você, leitor, conseguir entender plenamente a nota que a chancelaria da Venezuela divulgou a respeito do caso da ETA merece um prêmio.

As declarações dos dois etarras presos, diz o Ministério de Relações Exteriores de Chávez, são “suscetíveis de serem desconsideradas em um tribunal porque estão expostas com outros argumentos no julgamento e são declarações às quais não se pode dar credibilidade”.