Villas-Bôas Corrêa
O entusiasmo do final da campanha eleitoral, no desempate do segundo turno entre a presidente eleita, Dilma Rousseff e o derrotado candidato da oposição, José Serra, sacudiu o país de norte a sul, no contraste de sempre da euforia dos vencedores e os resmungos dos derrotados.
Aí acabou a graça. E não é em tom de crítica, mas com uma certa frustração, que confiro que nada mudou no comportamento da população. Vitoriosos e derrotados esgotaram as suas ruidosas explosões de júbilo nos dois, três dias de passeatas, foguetório dos dilmistas de nascença e os derrotados enxugaram as lágrimas e foram cuidar da vida.
Tento uma explicação para as reações contraditórias. A primeira, a vitória é dos que ganharam no voto ou que dela são beneficiários. A turma de sempre. Antonio Palocci, Guido Mantega, Paulo Bernardo, Sérgio Gabriel, o sumido presidente do PT, José Eduardo Dutra que não foi convidado nem para um bate-papo de esquina estão com os nomes nas especulações da imprensa para o bingo dos ministérios, autarquias ou o consolo da liderança do governo no Senado e na Câmara.
Na penumbra da derrota, o azedume estimula o bate-boca das flechas trocadas. No PSDB, mineiros e paulistas trocam beliscões. Os paulistas ligados a José Serra cobram do mineiro Aécio Neves a derrota em Minas por acachapantes 1,7 milhão de votos. E os mineiros lavam as mãos alegando que não podiam fazer milagre.
Com a temperatura em queda dos últimos dias o jeito é chorar na cama que é lugar quente.