domingo, novembro 28, 2010

Duas caixas do “Avião do Faustão” tumultuam o trânsito do Rio em plena guerra com criminosos. Veículos das Organizações Globo noticiam — sem citar a promoção

Ricardo Setti, Veja online


Na quarta-feira, 24, em meio à justificada paranoia de que foram tomados os cariocas, duas enormes caixas de madeira, tipo baú, amanheceram, como se tivessem sido abandonadas, em duas praças de Ipanema — Nossa Senhora da Paz e General Osório (Veja a foto publicada no Extra Online).

Tratava-se de uma promoção do “Avião do Faustão”, um dos blocos do Domingão do Faustão, fato que foi noticiado por todos os jornais e sites da web.

Pois bem: temerosos de que as caixas pudessem conter explosivos das facções criminosas que estavam — e continuam — barbarizando a cidade, moradores da região chamaram a polícia.

Um esquadrão antibombas do Batalhão de Operações Especiais, o famoso Bope, interditou todas as ruas da região até que especialistas e cães farejadores de explosivos se assegurassem de que não havia nenhuma bomba nos caixotes.

Resultado: o engarrafamento provocado pela interdição das principais vias de ligação entre a Zona Sul e o Centro — num momento em que a circulação era vital também para a polícia, diante dos fatos — só terminou às três da tarde, criando problemas para a vida da cidade.

Como os demais órgãos da imprensa, todos os veículos das Organizações Globo – o Jornal Nacional, os noticiários da TV paga GloboNews, o jornal O Globo – publicaram a notícia.

Nenhum deles, porém, informou que as caixas eram do programa de Fausto Silva. O Globo dedicou duas páginas apenas a esse incidente e disse tratar-se de uma promoção “de uma agência de eventos”. O jornal chegou a ouvir um funcionário dessa agência, sem, em nenhum momento, dizer que a empresa era executora da promoção do Domingão.