quinta-feira, dezembro 23, 2010

Caos aéreo: o prêmio que Lula mereceu

Adelson Elias Vasconcellos

Mesmo que a greve estivesse apenas anunciada, era perceptível desde há alguns dias, que os brasileiros usuários dos aeroportos nacionais, iriam viver momentos difíceis no final do ano, com confusão, atrasos, cancelamentos, desorganização e toda a sorte de desgraça que um apagão aéreo é capaz de proporcionar.

Ontem,. Lula estava desesperado para que o caos de final de ano não se repetisse agora, justo no momento em que ele termina seu reinado. Mas creio que, por tudo o que o seu governo aprontou, desde o primeiro mandato, na aviação brasileira, melhor prêmio Lula não mereceria levar neste apagar das luzes.

Assim, se é um presidente que precisava sofrer com o apagão aéreo este é Lula. Desde a sua vigarista intromissão na Varig, de cuja má ação resultou o fechamento daquela empresa, o sistema foi prô espaço. Não só isso. Vimos ao longo do tempo, o quanto o governo deixou de investir, muito embora o recurso estivesse previsto em orçamento, nas melhorias e capacidade de atendimento à crescente demanda.

Naquilo que se investiu, tirando os puxadinhos que demonstram a pouca atenção que o assunto mereceu, deu-se mais cuidado na ampliação das áreas comerciais dos aeroportos, do que na ampliação da área de atendimento aos passageiros e do sistema de carga.

Além disto, a superposição de funções em diferentes órgãos sobrepostos, levou confusão em uma área onde a disciplina sempre foi excelente. Aliás, o modo PT de governar sempre foi o de criar confusão naquilo que funciona. É a incompetência o grande rótulo que caracteriza que, alguém do PT, fez o que não devia e se intrometeu onde não deveria.

Lula não poderia encerrar seu reinado sem viver estes momentos gloriosos provocados por um governo que jamais deu atenção devida ao sistema aeroportuário. São mais de 300 cadáveres em dois históricos acidentes em que a imagem de Marco Aurélio Top-Top Garcia, de forma imbecil – para não se dizer coisa pior -, comemora uma notícia que aliviaria a culpa do governo Lula no acidente da TAM em São Paulo, é talvez a cena mais ignóbil que este governo poderia deixar do caos aéreo que ele construiu, alimentou, provocou e jamais conseguiu resolver.

Sem dúvida, trata-se de uma medalha de honra ao demérito, Lula encerrar seu reinado em pleno apagão aéreo redivivo. E esta conquista ninguém lhe pode negar nem tirar. Claro que os brasileiros nada tinham que pagar pela desídia federal. Mas a marca há de ficar na cabeça de todos. Afinal, 2014 não está tão longe assim. A conquista da crise aérea, gravem isto, é toda de Lula, e de ninguém mais.