quinta-feira, dezembro 23, 2010

Economia não é ciência exata e a bola de cristal dos economistas

Exame.com


São Paulo - Os economistas frequentemente recebem críticas por erros em suas previsões. Embora muitos utilizem modelos matemáticos e econométricos para tentar antecipar o futuro, não há como garantir 100% de acerto.

Em 2011, a grande incógnita é a Europa. No mercado, poucos têm uma visão tão pessimista como a de Ricardo Amorim, que vislumbra sérios problemas na Espanha. A maioria embutiu em suas projeções "apenas" um crescimento lento dos países ricos. Outra ponto-chave é a China. Uma pequena desaceleração já foi incorporada às análises, mas não uma pisada forte no freio.

O Brasil, nesse contexto, deve ter um ano positivo. Dentre as projeções coletadas por EXAME.com, a menor é de um crescimento de 4,3% do PIB. Câmbio comportado, inflação pressionada (mas não superior ao teto da meta) e juros em alta são outras previsões predominantes. Já o desempenho da balança comercial dependerá fundamentalmente do preço das commodities (novamente entram aqui incertezas internacionais).

Os economistas renomados ouvidos nessa reportagem têm currículo invejável, farta experiência em cargos públicos e privados e, em muitos casos, uma numerosa e competente equipe de analistas que olham com lupa todos os indicadores. Isso tudo não é garantia de perfeição. A figura da bola de cristal, evidentemente, é uma brincadeira, mas é importante reconhecer que a Economia não é uma ciência exata.

• Ilan Goldfajn tem as menores projeções para PIB e balança
São Paulo - Do grupo de renomados economistas ouvidos por EXAME.com, Ilan Goldfajn é quem possui as menores previsões para PIB (4,3%) e superávit da balança comercial (US$ 1 bilhão).

O economista-chefe do Itaú Unibanco, que tem no currículo a experiência como diretor de política econômica do Banco Central, aposta que o aperto nos juros começará na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 18 e 19 de janeiro.

Elaboração: EXAME.com

Indicadores - 2011
PIB - 4,3%
IPCA - 5,6%
Taxa de câmbio - média (R$/US$) - 1,74
Taxa de câmbio - fim de período (R$/US$) - 1,77
Balança comercial (US$) - 1 bi
Meta taxa Selic - fim de período (a.a.) - 12,25%
1ª alta (se houver) - Janeiro

• Mailson da Nóbrega prevê saldo comercial superior ao de 2010
São Paulo - O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega é o único economista citado nesta reportagem que projeta um saldo para a balança comercial maior no ano que vem (US$ 18 bilhões) do que o registrado em 2010 (entre US$ 16 bilhões e US$ 17 bilhões).

O sócio da Tendências Consultoria acredita que a alta dos juros aconteça apenas a partir da reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Elaboração: EXAME.com

Indicadores - 2011
PIB - 4,4%
IPCA - 5,5%
Taxa de câmbio - média (R$/US$) - 1,75
Taxa de câmbio - fim de período (R$/US$) - 1,79
Balança comercial (US$) - 18 bi
Meta taxa Selic - fim de período (a.a.) - 12,25%
1ª alta (se houver) - Março

• Alexandre Schwartsman prevê a maior alta de juros
São Paulo - Do grupo de especialistas ouvidos por EXAME.com, o economista-chefe do Santander, Alexandre Schwartsman, é quem vislumbra o maior aperto monetário, com a Selic chegando a 13% ao ano.

No quesito câmbio, o ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central tem a segunda maior projeção para o dólar: R$ 1,78, na média, e R$ 1,85, na ponta de dezembro.

Elaboração: EXAME.com

Indicadores - 2011
PIB - 4,5%
IPCA - 5,5%
Taxa de câmbio - média (R$/US$) - 1,78
Taxa de câmbio - fim de período (R$/US$) - 1,85
Balança comercial (US$) - 6,5 bi
Meta taxa Selic - fim de período (a.a.) - 13%
1º alta (se houver) - Janeiro

• J. R. Mendonça de Barros tem a menor projeção para o dólar
São Paulo - Com um dólar estimado em R$ 1,70 no final do ano que vem, o ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda José Roberto Mendonça de Barros projeta, ao lado de Octavio de Barros, do Bradesco, a taxa de câmbio mais valorizada em 2011.

O sócio da MB Associados prevê alta dos juros na reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e saldo positivo da balança comercial de apenas US$ 2,7 bilhões (o segundo menor superávit entre os consultados por EXAME.com).

Elaboração: EXAME.com

Indicadores - 2011
PIB - 5%
IPCA - 5,3%
Taxa de câmbio - média (R$/US$) - 1,70
Taxa de câmbio - fim de período (R$/US$) - 1,70
Balança comercial (US$) - 2,7 bi
Meta taxa Selic - fim de período (a.a.) - 12,75%
1ª alta (se houver) – Janeiro

• Antonio Corrêa de Lacerda tem o maior dólar e a menor Selic
São Paulo - Do grupo de economistas consultados por EXAME.com, o professor doutor do departamento de Economia da PUC-SP Antonio Corrêa de Lacerda é quem possui as maiores projeções para o dólar: R$ 1,80 (média) e R$ 1,90 (na ponta de dezembro).

Lacerda, que integra o Conselho Superior de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), é o único que prevê queda da taxa Selic no ano que vem, passando dos atuais 10,75% para 9,50% ao ano.

Elaboração: EXAME.com

Indicadores - 2011
PIB - 5%
IPCA - 5%
Taxa de câmbio - médio (R$/US$) - 1,80
Taxa de câmbio - fim de período (R$/US$) - 1,90
Balança comercial (US$) - 12 bi
Meta taxa Selic - fim de período (a.a.) - 9,50%
1ª alta (se houver) - --------

• Carlos Thadeu de Freitas possui a maior projeção de inflação
São Paulo - Do grupo de especialistas ouvidos por EXAME.com, o chefe do departamento econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, é quem possui a previsão mais alta para a inflação no ano que vem (5,7%).

O ex-diretor do Banco Central prevê o início do aperto monetário apenas em março e projeta saldo da balança comercial parecido com o que será registrado nesse ano: US$ 16 bilhões.

Elaboração: EXAME.com

Indicadores - 2011
PIB - 4,5%
IPCA - 5,7%
Taxa de câmbio - média (R$/US$) - 1,70
Taxa de câmbio - fim de período (R$/US$) - 1,75
Balança comercial (US$) - 16 bi
Meta taxa Selic - fim de período (a.a.) - 12%
1ª alta (se houver) - Março

• Octavio de Barros prevê estabilidade na taxa de juros
São Paulo - O economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, é o único do grupo consultado por EXAME.com que aposta na manutenção da Selic em 2011. Esse cenário, segundo o especialista, tem 60% de chances de acontecer. O cenário alternativo seria de alta dos juros, a partir de março, de 10,75% para 12% ao ano.

Ao lado de José Roberto Mendonça de Barros, tem a taxa de câmbio mais valorizada no encerramento de 2011: R$ 1,70

Elaboração: EXAME.com

Indicadores - 2011
PIB - 4,5%
IPCA - 5,3%
Taxa de câmbio - média (R$/US$) - 1,70
Taxa de câmbio - fim de período (R$/US$) - 1,70
Balança comercial (US$) - 14,1 bi
Meta taxa Selic - fim de período (a.a.) - 10,75%
1ª alta (se houver) - ----------

• José Julio Senna tem previsões ao redor da média
São Paulo - As projeções para PIB, IPCA, dólar, Selic e balança comercial do sócio-diretor da MCM Consultores José Júlio Senna estão próximas à média das estimativas colhidas por EXAME.com. O aperto monetário, segundo ele, começa em janeiro e o dólar encerra o ano vendido a R$ 1,77.

Ex-diretor do Banco Central, José Júlio Senna lançou recentemente o livro "Política Monetária: ideias, experiências e evolução", pela Editora FGV.

Elaboração: EXAME.com

Indicadores - 2011
PIB - 4,47%
IPCA - 5,37%
Taxa de câmbio - média (R$/US$) - 1,74
Taxa de câmbio - fim de período (R$/US$) - 1,77
Balança comercial (US$) - 9,02 bi
Meta taxa Selic - fim de período (a.a) - 12,25%
1ª alta (se houver) - Janeiro