Bruno Molinero, colaboração para a Folha de São Paulo
O pessoal de casa já tentou de tudo para convencer você de que a turma do espinafre, tomate e chuchu é a melhor companhia para seu prato? E você não engoliu nem de olho fechado?
Bem, foi de olhos vendados que um grupo de crianças provou (e até aprovou!) alimentos que antes eram rejeitados nas refeições.
Quem realizou o experimento foi o programa de nutrição do Projeto Quixote, ligado à Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) _leia abaixo os passos da experiência.
Sem enxergar, as crianças colocaram na boca até beterraba recheada com abobrinha. E sem fazer cara feia! A experiência também transformou pão de espinafre com cenoura, suco de couve com maracujá e até torta de abobrinha, cenoura e queijo em um tremendo sucesso.
Alessandro Shinoda/Folhapress
"Primeiro, eu pensei: 'Eca, não como isso, não!'. Mas depois vi que era muito bom", contou Derek Ferreira, 12, durante o experimento. Como a maioria das crianças que participaram, ele também não era grande fã das comidas verdes.
Isso acontece por dois motivos, explica o pediatra Raul Melo, líder do projeto de nutrição do Quixote. Muitas vezes a gente tem medo de experimentar coisas diferentes. Ou então achamos ruim uma vez e nunca mais provamos.
"O paladar é um sentido que demora a ser formado. É preciso experimentar várias vezes até que a gente se acostume com o alimento", diz o médico.
Provando no escuro
1 - A experiência começou com um monte de comidas diferentes na tela do computador. Tinha de tudo, até beterraba recheada com abobrinha.
2 - Depois de conhecer os pratos, os participantes marcaram a "carinha" que indicava seu nível de aprovação ou reprovação.
3 - De olhos vendados, chegou a melhor (ou a pior) hora: experimentar essas comidas.
4 - Após mastigar bastante, todos responderam se gostaram ou não indicando novamente a "carinha"
5 - Por incrível que pareça, muitos alimentos que receberam uma "carinha de eca!" na primeira avaliação foram eleitos os mais deliciosos.
