segunda-feira, janeiro 03, 2011

Battisti, França e Brasil

Fernando Gabeira, Estadão.com

No último dia do ano, Lula resolveu não extraditar Cesare Battisti, Embora não se fale muito nisso, é um episódio com longa história. França e Brasil tem um papel decisivo nela. Com a escolha dos refugiados em se instalar neles, Franca e Brasil, através de suas esquerda, tentaram cicatriz alguma feridas dos anos de chumbo na Itália.

A resposta francesa foi doutrinária. É a chamada doutrina Miterrand: os refugiados poderiam asilo na França, desde que se comprometessem a uma vida pacífica, rejeitando a violence do período. Cesar Battisti foi benefiário dessa doutrina Miterrand. Só que Jacques Chirac, que o substituiu, cancelou o asilo e Battisti fugiu para o Brasil.

O Brasil já tinha dado uma resposta a esta questão. Não era doutrinária, como gostam os franceses, mas pragmática como convém aos trópicos. Aqui, os refugiados italianos foram julgados um a um pelo Supremo: Luciano Pessina, Piero Mancini, Achile Lollo ganharam permissão para permanecer no Brasil.

O caso de Achile Lollo foi o mais complicado. A repercussão transcedeu a Italia. Em vários pontos do Rio, apareceram out-doors com a inscrição: Lollo, assassino. Para os cariocas que os viram, talve fosse mais um desses enigmas que as vêzes aparecem em out-door.Mas era ainda a luta entre italianos, em torno do seu passado

O processo de Cesare Battisti foi o único negado pelo Supremo. Há várias razões para isto: era o que tinha maior repercussão negativa; não constituira familia nem círculo de amigos no Brasil.

A França sempre esteve próxima de Battisti. Ele se casou lá e tem uma filha, além disso obteve o apoio de uma parte da esquerda , ganhou o título de cidadão honorário de Paris. Sarkozy achava importante sua prisão no Brasil e conseguiu isto nas vésperas das eleições. Além ganhar prestigio com a medida, causou embaraço aos candidatos da esquerda e ao centro, que criticaram a detenção de Battisti. A ambiguidade iria aparecer adiante, nos primeiros anos de prisão no Brasil: jornais franceses e italianos publicaram que Carla Bruni , mulher de Sarkozy, havia pedido a concessão de refúgio para Battisti.

Possívelmente um dia tudo sera contado. Mas é preciso esperar que o tema seja finalizado no Supremo, em fevereiro, talvez depois do carnaval.