quarta-feira, janeiro 05, 2011

Enquanto Mantega fica no papo furado, o Chile adota medidas

Comentando a Notícia

Ontem, Mantega ficou no papo furado. Anunciou uma entrevista à tarde, falou, falou, e atitude que é bom, nadinha. Ficou no anúncio de que o “governo não medirá esforços para conter a valorização do real”. Aliás, este lero-lero de Mantega já se arrasta há alguns meses, medida que preste, e que é mais do que necessária, z-e-r-o. Enquanto isso, a balança comercial se decompõe, mês após mês, conforme vocês poderão ler mais adiante em texto do jornal O Estado de São Paulo. As contas externas se deterioram e se aproximam de um déficit colossal de 60 bilhões, o maior da história. Inúmeras fábricas estão fechando suas portas no Brasil, para abrirem em outros países, conforme temos noticiado aqui. Outras, estão parando suas linhas de produção e se transformando em importadoras, por ser mais barato importar do que produzir aqui dentro. Fazem isto em nome de sua sobrevivência. Há muito que as commodities garantem as exportações brasileiras. Os manufaturados e semi-faturados estão cada dia encolhendo mais suas vendas externas. E o Mantega? Só ameaça e não faz nada.

Enquanto isto, o Chile que não é bobo nem nada, adota medidas e se desculpa depois. Lá, a prioridade é defender as indústrias locais e os empregos dos chilenos. É uma maneira diferente de governar: o presidente do Chile governa para os chilenos, aqui, a atenção é dada para os cocaleiros, tiranetes e caudilhos. Quanto mais canalha for o governante, mais o governo do PT se abre em solidariedade. Já os brasileiros...

Segue a reportagem da Exame.com.

Intervenção no câmbio é excepcional, diz BC do Chile

Medida deve diminuir valor do peso para facilitar exportações, defendeu o presidente do órgão

Banco Central de Chile
Reunião do Banco Central de Chile:
medidas foram anunciadas na segunda à noite

O programa de intervenção no câmbio de US$ 12 bilhões, anunciado pelo Banco Central do Chile ontem depois do fechamento dos mercados, é uma medida excepcional e, por isso, tem credibilidade, disse o presidente do BC, José De Gregorio. Isso explica porque o peso caiu tão acentuadamente hoje, segundo ele. A intervenção é a maior desde que a livre flutuação do peso foi adotada no fim dos anos 1990, acrescentou De Gregorio.

O peso tem sido negociado na máxima em 32 meses em relação ao dólar nos últimos meses e os exportadores vinham pedindo uma intervenção, alegando que a moeda valorizada reduz a competitividade de seus produtos no exterior. Ontem, o BC do Chile anunciou que vai elevar suas reservas estrangeiras em US$ 12 bilhões este ano. Hoje, o peso abriu em baixa de 4,2% e, em meados do pregão, recuava cerca de 5%, para 488,50 por dólar.

O programa de compra de dólares vai levar a "posição de liquidez internacional do Banco Central a 17% do Produto Interno Bruto (PIB)", informou o BC chileno. Atualmente, as reservas em moeda estrangeira da instituição somam US$ 27,4 bilhões. A primeira fase do programa vai começar amanhã, 5 de janeiro, e terminar em 9 de fevereiro deste ano e vai consistir em compras diárias de US$ 50 milhões.

O ministro das Finanças, Felipe Larrain, afirmou que a intervenção não vai pressionar a inflação para cima, uma vez que a maior parte dos preços locais não são ajustados à valorização que o peso vinha exibindo em relação ao dólar. Ele disse que será uma das maiores intervenções locais e que ações "massivas" como esta tendem a ser bem-sucedidas.

"Vemos que, para que uma intervenção tenha um efeito real sobre a moeda, é preciso que seja massiva e esta é uma das maiores da história chilena", disse Larrain. Ele acrescentou que o governo "apoia a medida", destacando que o ministério e o Banco Central autônomo coordenam de perto suas ações. Como ministro das Finanças, Larrain participa das reuniões de política monetária do BC, mas não vota nas decisões da instituição.

A economia chilena é altamente dependente de suas exportações de produtos como cobre, celulose e frutas. "Enquanto os exportadores de cobre estão protegidos pelos preços mais altos do produto, o setor agrícola precisa de apoio", disse Larrain. Ele acrescentou que o governo continuará a adotar medidas para manter o peso em níveis competitivos em relação a outras moedas. As medidas incluem limitações ao gasto fiscal, aprimoramento da legislação financeira e modernização de certas áreas do governo. "Temos de gerar instrumentos de longo prazo para sustentar a competitividade do peso", afirmou.

Recentemente, o ministério anunciou que emitirá a maior parte da dívida de 2011 no mercado local. O orçamento fiscal de 2011 fixou um limite de US$ 7,8 bilhões para a dívida soberana este ano e, na semana passada, o ministério anunciou que emitiria US$ 6 bilhões em dívida soberana domesticamente. A emissão de dívida local, denominada em pesos, reduz o fluxo de dólares e alivia a pressão para cima em relação ao peso causada pela alta de juro e pelo robusto crescimento econômico. "Deixamos uma margem de US$ 1,8 bilhão para outras emissões como fizemos em 2010", disse Larrain.

No ano passado, pela primeira vez em quase uma década, o Chile emitiu dívida soberana nos mercados internacionais. Do total de US$ 1,5 bilhão emitido no exterior, US$ 500 milhões foram colocados em papéis denominados em peso.

Ao detalhar hoje seu plano para esterilizar os US$ 12 bilhões em compra de dólares no ano que irão elevar as reservas estrangeiras do país, o Banco Central do Chile disse que serão usados US$ 2 bilhões em instrumentos de curto prazo e US$ 10 bilhões em bônus indexados à inflação e denominados em peso.

Em janeiro, a "compensação monetária" das compras de dólares será feita com depósitos de liquidez, programas e instrumentos de curto prazo. A partir de fevereiro, além destes instrumento, serão emitidos bônus em peso e indexados à inflação.

As informações são da Dow Jones.