José L. Carvalho, Opinião & Notícia
Confira a análise do Instituto Liberal sobre o discurso de Dilma na cerimônia de posse.
A posse da presidente Dilma Rousseff foi cercada de muito simbolismo. Em primeiro lugar, a presidente apresentou-se com um conjunto branco pérola deixando claro que é a presidente da República e não a representante de um partido político. A ausência do vermelho e das calças compridas enfatizava sua condição não partidária e feminina. Em seu discurso no Congresso Nacional afirmou: A partir deste momento, sou a presidenta de todos os brasileiros … . Durante a cerimônia de recebimento da faixa presidencial e durante a posse de seu ministério, o chefe do cerimonial insistia em chamar a presidente Rousseff de presidenta.
Essa agressão ao idioma português seria ridícula se alguém chegasse a um balcão de atendimento e se referisse a uma atendente como atendenta. Portanto, presidenta deve ter um significado. A mim me parece que a Sra. Rousseff quer se transformar em uma feminista por ser a primeira mulher a ascender à presidência da República: Venho para abrir portas, para que muitas outras mulheres também possam, no futuro, ser presidentas e para que, no dia de hoje, todas as mulheres brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher. Ora, todos sabem que sua eleição se deve muito mais ao incansável trabalho do então presidente Lula para elegê-la e não à sua condição de mulher.
No discurso de posse, a presidente Rousseff tratou de questões relevantes das mais variadas, desde o crescimento auto sustentado, passando pela liberdade de imprensa, até desembocar no papel do Brasil no cenário internacional. Claramente reafirma seu compromisso com a eliminação da miséria e com um Estado provedor de serviços básicos e de previdência social pública. Isso significa custos elevados para toda a sociedade, mas significa também a garantia do alento da aposentadoria para todos e serviços de saúde e de educação universais. Portanto, é de se esperar um aumento da carga tributária, pois a promessa de modernização do sistema tributário orientado pelo princípio da simplificação e da racionalidade não contempla redução de impostos, mas muito provavelmente melhoria no sistema de fiscalização e monitoramento pelo uso da tecnologia da informação.
Há ainda um vasto conjunto de proposições conflitantes uma vez que estimular a indústria significa penalizar os demais setores da economia. Estimular as exportações pode implicar em penalizar o consumo doméstico ou os investimentos dependentes de bens de capital ou insumos importados. Estimular todos os setores e atividades mencionados no discurso descarta o fato de que os estímulos que podem ser concedidos pelo governo afetam os preços relativos e consequentemente a rentabilidade relativa das atividades, o que torna difícil a identificação, pelos empreendedores, das melhores oportunidades. O país já viveu essa indústria de incentivos e os resultados não a recomendam.
Está correta, a Sra. presidente, ao assumir compromisso com estabilidade de preços. Está mais uma vez correta a Sra. presidente quando afirma que: a superação da miséria exige prioridade na sustentação de um longo ciclo de crescimento. Mas, sua estratégia para a promoção desse crescimento é equivocada. Assim como se equivoca, também, a Sra. presidente quando afirma: mas só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, … . Os pais, Sra. presidente, são as verdadeiras autoridades na educação de seus filhos, assim como os agentes econômicos quer sejam consumidores, quer sejam empreendedores ao assumirem os riscos do seu negócio, são as verdadeiras autoridades do crescimento econômico. O que precisamos, Sra. presidente, é um choque de liberdade, pois é essa liberdade de agir em um Estado democrático de direito a promotora das condições reais e efetivas capazes de aproveitar e potencializar ainda mais e melhor a imensa energia criativa e produtiva do povo brasileiro.
