segunda-feira, março 07, 2011

Às vezes é melhor só observar

Adelson Elias Vasconcellos

Não, não abandonei o blog. Como digo no título, ás vezes é melhor observar do que escrever qualquer coisa, apenas para agradar. Muito embora o governo seja o mesmo, do PT, é evidente que há estilos diferentes na forma de conduzir o governo Dilma em relação ao que foi com Lula no poder. E, apesar de Lula mandar e desmandar no PT, o governo Dilma se caracteriza muito mais petista do que o foi com Lula.

Ocorre que o Brasil que vivemos é um cenário difícil de analisar, em tempo real, a enxurrada de desmandos e irresponsabilidades que se sucedem minuto a minuto. Mesmo a notícia sobre um escândalo da hora, quando comentada ainda que também, em tempo real, se tornará logo ultrapassada e aborrecida. Nos acostumamos de tal forma com a imoralidade pública, com o descontrole, com o desperdício, com a corrupção, com a impunidade, no volume e na essência com que tudo isto se apresenta diante de nós, que pacificamente aceitamos e até ficamos na expectativa de qual será o novo golpe a ser aplicado nos nossos bolsos ou nos nossos direitos e garantias individuais. É de tal monta a desfaçatez dos agentes do Estado, em todos os seus níveis e poderes, que fica difícil termos tempo hábil para comentar sobre tudo o que se passa.

Nesse começo de continuísmo, muitos se debruçam em longas análises de construção ou desconstrução de imagem sobre o governante que saiu e sobre o que entrou. É natural que se comparem estilos, muito embora, a ideologia seja a mesma.

O que não dá é para achar que os oito anos de Lula se romperão com Dilma. Por outros caminhos e de maneiras diferentes, o objetivo será sempre o mesmo: o projeto de poder das esquerdas. Para tanto, vale tudo, até usurpar a lei e distorcê-la de acordo com o necessário encaminhamento deste projeto sórdido. Não é o interesse público que se subordina as ações de governar: ele se curva ao interesse de se manter no comando do poder.

Em 2003, com a chegada de Lula e das esquerdas, podemos caracterizar como o ponto de ruptura do país consigo mesmo. A partir dali, tudo o que provem do poder, é exclusivo de se manter o poder sob a batuta das esquerdas, mesmo que, em dado instante, seja necessário, por mais paradoxal, aliar-se à direita, ou aos conservadores mais extremados. Mas tal concessão é dada apenas com o objetivo claro de fazer com a direita se desequilibre sobre si mesma e se torne submissa ao projeto de poder que esquerda leva avante.

Dito isto, é preciso que paremos para observar em que canal este projeto estará sendo sintonizado com a chegada de Dilma ao poder. E, fruto desta observação, traçar quais horizontes serão buscados no curto prazo. Sim, é possível constatar que, doravante, as concessões estratégicas oferecidas por Lula, serão muito menores. Haverá menos espaço para ser disputado, e o comando central será mais esquerda do que nunca. O PT sabe que Lula apenas lhe abriu caminho com seu populismo tosco e indecente, para que agora se assente no Estado e em suas instituições o modo boçal das esquerdas.

O aparelhamento de antes consolidou os espaços e reduziu as resistências. Entendem ser a hora de se avançar mais e aprofundar como nunca o seu projeto de total controle do Estado. Não se pensa em Brasil moderno e liberal, capitalista e democrático. Se pensa em um país sob o comando tirânico e sem concessões das esquerdas, mesmo que o discurso seja ou pareça simpático para os incautos. O desejo de Estado grande e forte alimentado desde Lula, é a inversão natural do estado moderno: ao invés da sociedade tutelar o Estado, é este quem lhe determina a diretriz e, se preciso, afrontando as leis existentes.

Assim, pouco me importa as diferenças de estilo entre Lula e Dilma. Isto é o que menos interessa. Acho pura perda de tempo entregar o pensamente a tais comparações. O que conta é o que projeto que um e outro comandaram e comandarão: quais diferenças. Elas existem? Não, em momento algum Dilma se distanciará deste projeto, já que por ele, ela se elegeu. É ela que está a serviço deste projeto. É a ideia de fundo que dá o tom das ações de governo.

Daí porque, em 2011, o salário mínimo é menos importante do que o Bolsa Família. Para este, o reajuste há de ser mais generoso, já que manterá certa fidelidade aos discursos hipócritas da esquerda, um reino cativo de mais de 50 milhões de pessoas. Há de sustentar este reino com um futuro promissor ao beneficiar ainda mais futuros eleitores.

Os aposentados, por velhos e de voto opcional, já não representam nada neste projeto. Para os trabalhadores, mais adiante, e em períodos eleitorais, há de se abrir o saquinho de bondades para cooptá-los, já que seu grau de informação e formação é pequeno demais para cobrar, no futuro, a fatura da tungada imoral que ora se praticou. 

Em vista disto tudo, fiquei observando com que facilidade as forças políticas do país se moveram neste período, o que alimenta mais suas ambições sempre e unicamente pessoais. Elas serão capazes de fracionar o país se preciso para serem alimentadas com facilidades, imorais todas, para ali se manterem e se sustentarem.

E é nos orientando por esta cartilha, que é visível aos nossos olhos, que devemos seguir analisando o monstrengo institucional com que o PT e seus cúmplices está desconstruindo o Brasil. Se antes se fez necessário submeter a resistência parlamentar aos caprichos do partido, agora obtida com o amplo espectro da base governista instalada no Congresso, a busca mais imediasta estará em curso para destruir nossas raízes culturais e a pouca decência que ainda havia na educação, como ainda se avançará de forma violenta sobre o judiciário – parte já submissa, sem ser ainda maioria - e sobre a estrutura jurídica do país. Em curso, portanto, o processo de justicialismo, ao invés de justiça. O discurso do 11º ministro do STF deixou bem clara esta opção torpe.

Enquanto o projeto de poder do PT avança, infelizmente, o país como sociedade livre e  democrática regride. O exemplo de resistência que vemos no mundo, e até da explosão dos povos indignados, secularmente oprimidos e explorados por tiranos nacionais ou estrangeiros, ainda demorará muito a chegar por aqui. O único consolo que resta é que, cedo ou tarde, ela acontece e, como também se vê nas revoluções em curso, não haverá Bolsa Família capaz de conter esta tendência. É da natureza humana rebelar-se contra a tirania e a escravidão, por mais coloridas que elas sejam. Como, também, é da natureza deste blog denunciar o que PT pretende ver implantado no Brasil. Estamos e permaneceremos em estado de vigília constante, gostem ou não.

Por isso, o que escrevemos e selecionamos de leituras importantes neste período, não foi jogado no arquivo morto. Estão todas aí reproduzidas, mas tão atuais e verdadeiras como sempre foram. Se a canalha da esquerda não desiste de tentar emplacar seu atraso ao país, nós, por direito inalienável, também não abriremos mão de resistir-lhes e denunciá-los, mesmo que sejamos, por enquanto, apenas uma pequena fração desta resistência. Aliás, e a História comprova a tese, as grandes resistências jamais nasceram das maiorias.