sábado, maio 14, 2011

A tarifa de Itaipu e a estupidez nacional

Adelson Elias Vasconcellos

O Senado aprovou o reajuste da tarifa de energia que o Brasil paga ao Paraguai, pelo excedente de energia que o país vizinho tem direito mas que não consegue consumir. Simplesmente, entregaremos o triplo do que até então estava acordado.

Começo pelo seguinte: quem bancou não apenas o empreendimento todo, mas também a manutenção de Itaipu durante todos estes anos foi o Brasil. Paraguai jamais desembolsou um centavo sequer pela obra. E ainda, de lambuja, garantimos ao Paraguai uma receita graciosa por adquirir o excedente que ele não consegue utilizar.

Durante a campanha eleitoral que elegeu Fernando Lugo, sua maior promessa foi justamente a de rever os termos do Tratado de Itaipu. Lugo, como se sabe, frequentava o quintal onde também há as companhias respeitáveis do tipo Chavez, Evo Morales, Rafael Correa e, claro, o Lula. Todos lhe emprestaram solidariedade e, por vias oblíquas, participaram de sua campanha para o eleger presidente do Paraguai.

Ou seja, Lula, então presidente do Brasil, para ajudar na eleição do amigo, prometeu atender sua promessa de campanha que atendia não aos interesses dos brasileiros, mas dos paraguaios.

Durante a votação no Senado, a base governista alegou algumas tolices sem sentido. Uma delas é a de que o reajuste não provocaria aumento de tarifa da energia que os brasileiros pagam. É mesmo? E de onde o Brasil retirará o montante que pagará a mais para o Paraguai? Dos salários dos senhores senadores? Das aposentadorias e “honorários” de palestrante que Lula cobra mundo afora? Negativo: quem pagará a conta da fraternidade entre amigos do continente é o contribuinte brasileiro. É no bolso de todos nós que arderá a chama amiga.

Outro vigarice alimentada pelos governistas foi a de que é importante que o país tenha vizinhos que se desenvolvam. Seria ótimo se não fosse por um pequeno detalhe: o povo brasileiro já carrega nas costas uma das maiores cargas tributárias do mundo. Em contrapartida, recebe do Poder Público uma gama de serviços públicos precários e indignos. Quando precisou promover um esforço para se desenvolver, os tais “ilustres” vizinhos nos deram uma banana. A Argentina, por exemplo, não perde tempo em retaliar os produtos brasileiros que entram em seu país, isto apesar do Mercosul. E, para arrematar, conforme demonstramos aqui, o brasileiro paga a segunda maior tarifa de energia elétrica do mundo, inclusive atrás do que é cobrado pelos “vizinhos”.

Então, por conta do quê o governo nosso, eleito pelo povo para defender nossos interesses, precisa nos obrigar a suportar impostos com maus serviços, para ajudar no desenvolvimento de países incompetentes que não conseguem promover seu desenvolvimento interno? Se o Brasil fosse um país rico, onde saúde, educação, segurança, transporte e infraestrutura fossem a fina flor de eficiência, vá lá: não nos custaria nada ajudar a quem precisa. Mas pergunto: no momento, não é justamente o povo brasileiro quem mais precisa da presença do seu governo? Então a troco do quê vamos impor mais este ônus ao já sobrecarregado contribuinte, só para que as esquerdas do continente se regalem sobre a miséria de seus povos, miséria fruto de incompetência e desmandos? Falei da Argentina, falo da Venezuela: com toda a fortuna que os petrodólares carreiam para os cofres do estado venezuelano, Chavez sequer conseguiu transformar seu país num território de bem estar e segurança. Pelo contrário: torrou dinheiro a rodo sem contrapartida alguma em benefício de seu povo. E agora somos nós que devemos “corrigir” os desmandos de maus governantes diante de tantas carências que os brasileiros ainda sofrem e que o governo petista alega falta de recursos para atendê-las no volume e velocidade que estas demandas cobram?

Mais: acaso não é o Paraguai o principal fornecedor do contrabando de armas, drogas e pirataria que entram Brasil adentro, causando-nos aborrecimentos e prejuízos de toda a sorte? Qual a contrapartida que o Paraguai assumirá pelo reajuste milionário – e indevido – da tarifa de Itaipu? A resposta é óbvia: NENHUMA. Continuará enviando para cá a maconha, as armas e a pirataria. E atenção: as armas e a maconha são matérias primas do crime organizado que, no país, matam cerca de 50 mil brasileiros por ano.

Vejam o ridículo da coisa: enquanto o restante do mundo elege governantes que se obrigarão a cuidar dos interesses de seus governados, aqui nossos governantes preferem atender os interesses dos outros, dos vizinhos, menos daqueles a quem deveriam direcionar o foco de sua ação.

Infelizmente, o Brasil continuará sendo governado com esta mentalidade xenófoba. E, sendo assim, o governo brasileiro sempre buscará o desenvolvimento, o bem-estar e a segurança dos vizinhos. Já para os brasileiros...

(Postado originalmente em 12.05.2011)