quarta-feira, março 14, 2012

Às vésperas de uma audiência com Dilma, CUT comanda nova paralisação no canteiro de Jirau

Josias de Souza


Os cerca de 20 mil trabalhadores que tocam as obras da hidrelétrica de Jirau, em Porto Velho (RO), voltaram a cruzar os braços. A exemplo do que ocorrera em maio do ano passado, comanda a nova greve a CUT, braço sindical do PT.

A encrenca começou a ganhar forma na sexta-feira (10). Nesse dia, paralisaram suas atividades os funcionários da Enesa Engenharia, empresa que monta os geradores da usina. Queixam-se da precariedade dos alojamentos e da falta de reajuste do vale-refeição.

Na manhã desta segunda (12), o movimento espraiou-se por todo o canteiro da obra. Decidiu-se aproveitar antecipar reivindicações que só viriam à luz em maio, data-base dos operários. A pauta inclui: reajuste salarial de 20%, vale-alimentação de R$ 510 e pagamento de 100% das horas-extras, em vez dos 70% atuais.

Nesta terça (13), em nova assembleia, os operadores da CUT definirão com a tropa os próximos passos do movimento. A greve do ano passado parou também as obras da hidrelétrica de Santo Antônio, também em Rondônia. Durou 28 dias e resultou em depredação de alojamentos.

Curiosamente, a nova paralisação chega poucos dias depois da celebração, em 1o de março, de um acordo batizado de ‘Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Indústria da Construção’. Coisa intermediada pelo governo e aceita por empresários e sindicalistas.

O documento fixa padrões mínimos a serem respeitados nas grandes obras do PAC. Trata de temas variados – do contracheque à higiene dos alojamentos. O problema, alega a CUT, é que, em Jirau, apenas as gigantes do consórcio, como a Camargo Corrêa, aderiram ao compromisso. Empresas menores, a Enesa entre elas, não subscreveram o acordo.

A confusão ocorre às vésperas de uma reunião agendada por Dilma Rousseff com os presidentes das centrais sindicais. No encontro, marcado para esta quarta (14), a presidente terá muito que conversar com o companheiro Artur Henrique, o petista que preside a CUT.