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Indicador cai em 9 dos 14 locais pesquisados pelo IBGE; seis dos sete estados das duas regiões mais industrializadas do país tiveram índices negativos
(Divulgação)
Parque industrial da Aracruz Celulose;
sul e sudeste foram os principais responsáveis pelo desaquecimento da produção industrial
Dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a retração de 2,1% da produção industrial anunciada na última quarta-feiraé reflexo da diminuição da atividade nas regiões que concentram a maior quantidade de indústrias do país: Sul e Sudeste. Dos sete estados, apenas o Rio Grande do Sul não teve retração de sua produção fabril em janeiro deste ano ante dezembro do ano passado e verificou alta de 0,5%.
A queda foi puxada, principalmente, por Paraná (-11,5%) e Rio de Janeiro (-5,9%), mas São Paulo (-1,7%), Santa Catarina (-1,6%), Minas Gerais (-1,3%) e Espírito Santo (-0,4%) também tiveram resultados negativos. Além dos estados do Sul e do Sudeste, Pará (-13,4%), Ceará (-3,1%) e Pernambuco (-1,0%) contribuíram para a queda da atividade no setor industrial brasileiro.
Na comparação com janeiro do ano passado, as duas regiões também foram as que mais contribuíram para a queda de 3,4%. Neste cenário, os destaques negativos foram Santa Catarina (-10,3%), novamente o Rio de Janeiro (-9,2%) e São Paulo (-6,3%), além de Espírito Santo (-2,8%) e Minas Gerais (-2,4%). Assim como em relação a dezembro, Pará (-8,5%) e Ceará (-8,3%) aparecem com recuos acima da média nacional.
No desempenho desses estados, o comportamento de segmentos articulados à produção de bens de capital (caminhões) e de bens de consumo duráveis (automóveis) foram responsáveis pela baixa em função da concessão de férias coletivas por várias empresas. Segundo o IBGE, também se verificou influência negativa vinda dos setores extrativo (minérios de ferro), têxtil, vestuário e de metalurgia básica.
Do lado positivo, Goiás (25,4%) assinalou o maior avanço do país, principalmente pela maior produção do setor de produtos químicos (medicamentos). Pernambuco (11,3%), Rio Grande do Sul (7,8%) e Bahia (6,5%) também contribuíram por uma queda menos acentuada da produção industrial em comparação com janeiro do ano passado.
Crescimento freado pela indústria –
Segundo especialistas ouvidos pelo site de VEJA, a economia brasileira não cresceu mais em 2011 devido ao baixo desempenho do setor industrial e ao erro na política monetária do governo no começo do ano passado. Enquanto o crescimento de 2,7% do PIB de 2011 foi puxado pelo aumento de 4,3% na arrecadação de impostos e de 3,9% da agropecuária, a indústria avançou apenas 1,6%.
