quarta-feira, março 14, 2012

A doação de Lula ao PanAmericano

Comentando a Notícia

Mesmo que com enorme atraso, pouco a pouco o país vai tomando conhecimento da vergonhosa operação que resultou na ponte salvadora que manteve o Banco Panamericano em pé e Silvio Santos livre, leve e solto. 

Na época, o blog denunciou que, na negociata feita no Planalto entre o então presidente Lula e o empresário chefe do SBT, não havia inocentes. Se houver do leitor interesse em reavivar como tudo aconteceu, digite na caixa de pesquisa do blog, ao lado, a palavra Panamericano, e terá acesso mais de uma dúzia de artigos, revelando em detalhes, a evolução do caso. Todos os envolvidos eram e são culpados, e a lamentar, também, que a trama sórdida não fosse divulgada de forma transparente como a gravidade do caso requeria. A lembrar: estávamos em plena campanha eleitoral para a sucessão de Lula e o imperador de esquerda, já havia decretado que o povo deveria escolher a soberana Dilma como sua sucessora. 

Nesta edição, trazemos uma entrevista de Luiz Sandoval (ver post abaixo), braço direito de Silvio, depoimento que assevera tudo o quanto já havíamos denunciado. Não só: revela o modo criminoso que o presidente da república fez uso de uma instituição bancária estatal, Caixa Econômica Federal, para acobertar uma enorme falha cometida pelo Banco Central na sua missão fiscalizadora. Na época, caso o fato fosse revelado tal como aconteceu, talvez a sorte de Dona Dilma não tivesse sido a mesma, ela que já sofria enorme pressão dos evangélicos e católicos por suas declarações favoráveis ao aborto e anteriores à campanha eleitoral. 

Hoje Elio Gaspari, em sua coluna, nos traz um resumo da patifaria. Talvez até pelo teor alguém lá pelo Ministério Publico se interesse em abrir investigações e se aprofundar na coletânea de irregularidades cometidas não apenas pelos administradores do Panamericano, mas pela conivência e acobertamento praticado pelo governo Lula, e posterior injeção de recursos públicos para salvar a instituição. 

E, a rigor, em qualquer lugar sério do mundo, apenas este episódio levaria à cadeia os seus infratores, e poria para fora do governo as autoridades praticantes de um crime de responsabilidade. 

Vamos ver como reage o Ministério Público, logo ele tão capaz até de decretar e revogar a Lei de Anistia, por conta própria e contrariando e afrontando posição do Supremo Tribunal Federal, afora outras baboseiras como a tentativa estúpida de tentar decretar censura a dicionários. 

Segue o texto do Gaspari. 

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Imagine-se um retorno ao dia 22 de setembro de 2010, em plena campanha eleitoral. Dilma Rousseff tinha 51% na pesquisa do Datafolha e o Planalto procurava se desvencilhar das traficâncias da ex-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra. Um grupo de intelectuais tucanos lançava um manifesto "Em defesa da democracia", denunciando o aparelhamento do Estado pelo PT.

Imagine-se a publicação da seguinte notícia naquele dia:

"O presidente Lula recebeu hoje o empresário Silvio Santos. Ele foi pedir ajuda para salvar o seu Banco PanAmericano, em cujas contas foi descoberto um rombo de R$ 2,5 bilhões. Em dezembro do ano passado, a Caixa Econômica comprou metade da instituição por R$ 739 milhões e Silvio Santos recebeu cerca de R$ 200 milhões por conta dessa operação.

"Para salvar o PanAmericano, será necessária uma injeção do Fundo Garantidor de Créditos, uma instituição privada.

"Lula recebeu Silvio Santos sem que o encontro estivesse previsto na agenda. O apresentador informou que foi ao presidente para pedir uma doação para o Teleton, uma maratona de filantropia popular destinada a ajudar a Associação de Assistência à Criança Deficiente. O Teleton deste ano acontecerá nos dias 5 e 6 de novembro."

Publicada, essa notícia, animaria a campanha eleitoral, mas tanto o empresário como o governo encobriram o verdadeiro propósito da visita.

A maratona do Teleton arrecadaria R$ 24 milhões, mas o encontro de Silvio Santos com Lula resultou em outra doação, de R$ 2,5 bilhões, da banca que sustenta o Fundo Garantidor de Crédito com o dinheiro que coleta na sua clientela.

Passados 18 meses da reunião no Planalto, os repórteres Flávio Ferreira, Julio Wiziack e Toni Sciaretta obtiveram de Luis Sandoval, ex-presidente do Grupo Silvio Santos, o tema da conversa com Lula:

"A conversa de que o Silvio tinha ido até lá para pedir uma participação dele no Teleton foi um discurso para a imprensa. Ele foi lá pedir a ajuda do presidente".

Em tese, Lula poderia fazer muito pouco, pois o dinheiro do FGC não era dele, nem do governo.

Os repórteres perguntaram a Sandoval: "Funcionou?".

"Quando cheguei lá, tive a sensação de que o acordo já estava pronto. Só negociei as condições."

A empulhação convencional dos hierarcas do Planalto, do Banco Central e da direção do FGC sustentou que os R$ 2,5 bilhões foram injetados no PanAmericano a partir de critérios técnicos. Lorota.

O rombo, chamado inicialmente de "inconsistências contábeis", não era de R$ 2,5 bilhões, mas de R$ 4,3 bilhões. Ao final, custou R$ 3,8 bilhões ao FGC. O PanAmericano foi passado ao BTG Pactual em condições companheiras. Seu presidente, Rafael Palladino, e sete diretores estão indiciados em inquérito da Polícia Federal. Todos acumularam fortunas pessoais. Nenhum hierarca do Ministério da Fazenda, da Caixa ou do Banco Central reconheceu ter participado de uma negociação ruinosa.

Resta esperar para que se saiba como o FGC entrou na roda. As chances que isso apareça por iniciativa da oposição são nulas. Na contabilidade do PanAmericano, a Polícia Federal descobriu consultorias de grão-petistas e R$ 300 mil em doações legais para o partido. Dinheiro ilegal para políticos, só R$ 954 mil para o tucanato alagoano.

Silvio Santos não foi pedir dinheiro para o Teleton, mas para o seu banco, que acabara de quebrar.