quarta-feira, março 14, 2012

Governo do RS desiste de reajuste abaixo do piso para professores

Felipe Bächtold 
Folha online

O governo do Rio Grande do Sul desistiu de levar a votação nesta terça-feira (13) um projeto que reajustava os salários dos professores para um valor bem abaixo do piso nacional da categoria (R$ 1.451).

A decisão foi tomada após uma comissão de sindicalistas ir ao palácio do governo ontem para exigir uma audiência sobre o tema.

Diante da ameaça de que permaneceriam no local por tempo indefinido, a Casa Civil do governador Tarso Genro (PT) recuou e não vai tentar aprovar nesta semana a proposta, que tramitava em regime de urgência.

Levantamento da Folha publicado na semana passada mostrou que o Rio Grande do Sul tem o salário inicial mais baixo entre 25 Estados: R$ 791 por 40 horas.

Há duas semanas, uma sentença judicial mandou o governo Tarso pagar o piso nacional ao magistério. O governador chegou até a bater boca sobre o assunto com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

De amanhã até sexta-feira, os professores gaúchos vão aderir a uma paralisação nacional da categoria, em protesto pelo pagamento da remuneração federal.

A mobilização é puxada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação e deve atingir redes estaduais e municipais. A entidade pede ainda investimentos de 10% do PIB na educação.

VIGÍLIA
Ontem, professores estaduais do Rio Grande do Sul fizeram uma "vigília" nas proximidades do palácio do governo, em Porto Alegre, e montaram barracas. Eles já haviam anunciado estado de greve na rede pública.

O governo do Estado diz que não tem como pagar o piso agora e oferece apenas aumentos periódicos até 2014, quando a remuneração mais básica chegaria a R$ R$ 1.260.

O sindicato propõe que o governo conceda três reajustes de 22,4% até o fim do ano como forma de se adequar à legislação nacional.

Em dezembro, o magistério gaúcho fez greve pelo piso. O movimento, no entanto, teve baixa adesão.