sábado, março 24, 2012

A falácia vigarista de Tarso Genro sobre o piso do magistério gaúcho

Comentando a Notícia

No início da semana, o Jornal Nacional exibiu uma reportagem (reveja aqui) sobre o impasse criado no Rio Grande do Sul pela negativa do governador Tarso Genro em pagar os professores gaúchos pelo piso nacional fixado pelo MEC. O que o MEC fez foi apenas cumprir uma lei assinada pelo próprio Genro quando esteve no ministério da Justiça. 

Entrevistado, Genro tentou, ao seu modo lero-lero, inverter a lógica do impasse. Então vamos fazer o seguinte: vamos seguir a esta lógica enrolada que, como se verá, não tem o menor fundamento.  

Afirmou o enrolador-mor dos pampas que, cerca de 85% dos professores já recebem valor superior ao piso. Seria perfeito se neste cálculo não estivessem incluídos os salários indiretos na forma de benefícios e gratificações que são acrescentados pelo números de horas/aula, tempo de serviço, etc. Ora, no cálculo do piso estes valores não são computados. Basta ler a lei que o próprio Genro assinou.Ou será que ele é mais irresponsável do que aparenta a ponto de não ter lido antes de assinar? Mas o ponto central nem é este. 

Diz Genro que apenas 15% recebem abaixo do piso nacional. Ora, qual o argumento central para ele se recusar em pagar o piso para toda a categoria? Não ter recursos no tesouro do Estado para bancar o aumento. Mas isto ele dizia quando se media o impacto sobre os 100% dos professores. Tomando-se a palavra do próprio governador, se antes, para 100% os recursos eram insuficientes, para os 15% restantes que ganham menos que o piso fixado, fica mais fácil porque os recursos para esta percentagem acarretarão um dispêndio menor, não é mesmo? 

E até porque, senhores, é inadmissível que um estado como o Rio Grande do Sul, como uma economia muito maior que Amapá, pague valor menor que o estado nortista para seus professores. E olha que a diferença é de cerca de 30%!

Mas Genro não seria o petista que é, se não se valesse da malandragem cretina para ludibriar a opinião pública. No dia seguinte, e por conta do que a assessoria do governo gaúcho andou pigareando, a manchete do site do Estadão era esta: “Professores gaúchos podem receber aumento de 76,68% até 2014”. 

Só que este percentual será completado, ATENÇÃO, somente em 2014, que é o necessário para os professores receberem o piso fixado em 2012. Ou seja, como a correção pela lei é anual, quando os professores gaúchos atingirem o piso de 2012, o calendário já terá avançado em dois anos. Beleza, não?

E reparem que interessante: o Rio Grande do Sul é o único estado cujo governador se recusa em cumprir determinação judicial para pagar o piso fixado em lei. Vocês acham que a cretinice de Tarso se resume só a “isso”? Não, senhores, ele consegue ir mais fundo em sua estupidez. O Rio Grande do Sul,  conforme já informamos aqui, é o estado que paga o pior salário aos seus professores. Estados com menos recursos como Amapá, Alagoas, Sergipe pagam cerca de 30% acima do valor que Tarso se propõem em pagar. 

Pois então, só que quando o enrolador gaúcho ainda era candidato, tinha um discurso completamente diferente, até porque a governadora, na época, pertencia a um partido que fazia oposição ao PT no plano federal, o PSDB.

A propósito desta posição prá lá de ridícula de Tarso Genro, os leitores do blog poderão ler artigo que postamos há poucos dias atrás clicando aqui. Lá está apresentada a lei que Tarso assinou como ministro, e se nega agora, como governador, em cumprir.

No post seguinte, há uma excelente entrevista concedida pelo senador Cristovão Buarque sobre o comportamento delinquente de Tarso Genro. A posição do senador é a mesma deste blogueiro: se Tarso insistir em descumprir uma lei federal e uma determinação judicial é passível de impeachment. Simples assim, porque assim é o que determina a lei.

Dentro do contexto das críticas que temos feito à negativa de Tarso Genro em cumprir a lei, pagando o valor fixado em plano nacional para o magistério, leiam o comentário do jornalista gaúcho Políbio Fraga sobre o cretinismo a moda Tarso Genro, que se transformou disparado, dentre os governadores eleitos em 2010, no maior estelionatário eleitoral :

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Jornal Nacional amplifica nacionalmente a decisão do governo gaúcho de violar a lei do piso do magistério

Foi duríssima a reportagem do Jornal Nacional desta quinta-feira à noite, que acabou desnorteando o Palácio Piratini diante da ferocidade do apresentador William Bonner ao criticar frontalmente o Governador Tarso Genro no caso do pagamento do piso nacional do magistério.

Quase ao final da matéria, o repórter dá voz a Tarso Genro, que mistifica completamente o assunto, ao declarar:

- Quem criou (o piso) que indique as fontes de onde sairá o dinheiro.

Foi o próprio Tarso Genro quem assinou com Lula e outros ministros a lei do piso. Um dos artigos da nova lei (2008) prevê o reajuste do piso pelo índice Fundeb. Desde agosto do ano passado, depois de acórdão do STF, os Estados não têm mais o que discutir sobre o assunto e precisam cumprir a lei, coisa que Tarso Genro nega-se a fazer.