O Estado de S.Paulo
O tempo em que o sistema financeiro apresentava sérios problemas e em que os clientes dos bancos sofriam pesadas perdas pertence ao passado. Hoje, quando o sistema financeiro mundial passa por graves problemas, o do Brasil é brilhante exceção. Missão conjunta do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird), depois de avaliar nosso sistema financeiro, concluiu que ele é estável, com baixo nível de riscos e evidente capacidade de amortizá-los numa eventualidade.
O Relatório de Estabilidade Financeira, que o Banco Central (BC) acaba de divulgar, justifica amplamente a avaliação dos dois organismos internacionais.
A explicação de como nosso sistema evoluiu da fase dos problemas para a estabilidade atual deita raízes, num primeiro tempo, numa forte concentração dos estabelecimentos, que, reunindo recursos importantes e desenvolvendo toda uma engenharia para atrair mais recursos, puderam atravessar diversas fases delicadas. O papel do Banco Central foi decisivo. Ainda ontem, o êxito se mostrou no acordo a que o Banco Bamerindus, sob intervenção desde 1997, chegou com os seus credores.
Consolidando a saúde de nossas instituições financeiras num momento de grave crise nos países do Primeiro Mundo, em 2008, o presidente do BC na época, Henrique Meirelles, soube impor às nossas instituições que respeitassem e até ultrapassassem as regras ditadas pelo Banco Internacional de Compensações (BIS, na sigla em inglês), o que possibilitou que elas se protegessem dos efeitos da crise em outros países.
O relatório do BC mostra que o índice de liquidez do sistema bancário permaneceu elevado, permitindo fazer frente a eventuais restrições de recursos ainda que em situação de estresse. O retorno adequado sobre o patrimônio líquido dos bancos permitiu o crescimento das carteiras de crédito mesmo com a tendência de alta da inadimplência. Nossos bancos têm um índice de capitalização superior aos de Basileia. A captação externa em relação ao passivo total está em torno de 8%, não impedindo um aumento do prazo médio da carteira de crédito.
Nota-se um crescimento muito forte do crédito imobiliário, compensado em parte pela redução do financiamento de veículos, enquanto o empréstimo consignado está relativamente estável.
Caberia, certamente, no relatório, um comentário maior sobre a situação dos bancos públicos, que, com 43% das operações de crédito, apresentam apenas 14,6% de participação no patrimônio líquido.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Nunca é demais lembrar que esta solidez do nosso sistema financeiro se deve a dois fatores contra os quais os petistas, à época, se indispuseram de forma veemente, por estarem na oposição xiita que sempre praticaram sem considerar o interesse público como prioritário.
Um destes fatores, claro, foi o Plano Real que deu ordem ao caos econômico que o Brasil estava mergulhado.E, o segundo, quase um corolário do primeiro, foi o PROER que, não apenas fechou bancos deficitários e sem condições de atuarem no mercado, como ainda aplicou e implantou uma série de medidas complementares para dar melhor solidez ao sistema, como também regulou de forma moderna a atividade do sistema.
Hoje o país recolhe os frutos daqueles programas, é reconhecido e respeitado no mundo todo, e tem podido passar pelas crises que abalaram as principais economias mundiais quase que sem traumas, principalmente esta última. Mas que se registre: esta couraça protetora teve suas sementes lançados ao solo não pelo governo petista, e sim por quem veio antes e enfrentou a oposição ferrenha e burra de Lula e seus asseclas, teve coragem de pagar um alto preço político, mas pode se orgulhar de seu legado pelos benefícios que podemos colher hoje, e que se estendem a todas as camadas sociais, e não apenas uma elite política caquética com a qual Lula se aliou e que permanece ao lado de Dilma Rousseff.