quinta-feira, abril 19, 2012

No livre comércio que Hillary defendeu, o Brasil está atolado com o Mercosul


Ricardo Setti
Veja online 
(Foto: VEJA)
Hillary e o livre-comércio: enquanto o Brasil empaca, os EUA assinam tratados 

Foi muito interessante a ênfase que a secretária de Estados norte-americana Hillary Clinton concedeu, durante sua estada o Brasil, ao livre comércio, fonte de riqueza, de inovação e de criação de empregos.

Não consta que Hillary estivesse querendo dar lições ao governo brasileiro, mas, de todo modo, não custa lembrar que, enquanto o Brasil continua empacado na assinatura de tratados de livre comércio com os principais países ricos do mundo — preso que está à estratégia de negociar em bloco como integrante do Mercosul, mesmo sofrendo constantes facadas pelas costas do governo da Argentina –, os Estados Unidos da secretária de Estado não perdem tempo.

Washington já assinou tratados de livre comércio com dezena e meia de países latino-americanos, mais uma dezena com pequenos países do Caribe e caminha acelerado nesse processo.

Lembram-se daquela famosa visita que Barack Obama realizou à Austrália no começo do ano, durante a qual parte da mídia fofoqueira internacional insinuou que a primeira-ministra australiana, a vistosa Julia Gilliard, teria sido carinhosa e calorosa demais com o presidente dos Estados Unidos?

(Foto: Reuters)
A primeira-ministra da Austrália, Jullia Gilliard, com Obama: 
carinhos à parte, livre comércio a todo vapor

Pois bem, carinhos aqui, sorrisos ali, o fato é que Obama começara a construir o que já esboçara meses antes e que está, agora, em plena implementação: uma associação de livre comércio dos Estados Unidos com a própria Austrália, a Nova Zelândia e mais seis países da Ásia e/ou do Pacífico – Malásia, Brunei, Cingapura, seu ex-inimigo de guerra Vietnã, o Chile e o Peru.

Sim, até o Peru já está nessa, como parte da onda de modernização e prosperidade que tem vivido nos últimos dez anos, e que o governo nacionalista do presidente Ollanta Humala não pretende alterar um milímetro.

Enquanto isso, o Brasil perde tempo e mercados devido ao enrosco do Mercosul — uma excelente ideia que não caminha por falta de uniformidade na vontade política de seus integrantes.