Ricardo Setti
Veja online
Cai previsão de arrecadação, aumentam os investimentos, aumentam as despesas com a máquina.
(Foto: Comstock)
Superávit primário em fevereiro não
foi suficiente para pagar juros da dívida brasileira
Amigos, reproduzo duas interessantes notas publicada no blog Política & Economia na Real, do jornalista José Márcio Mendonça e do economista Francisco Petros.
Frouxidão fiscal? I
A grande dúvida é se o governo vai sustentar sua promessa de fazer este ano uma superávit nominal de R$ 139 bi, cerca de 3,1% do PIB, economia de recursos compartilhada também com Estados e municípios. Esta meta é considerada essencial para manter a confiança dos agentes econômicos e assegurar a credibilidade da política de redução de juros.
O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, tem garantido que a promessa de superávit será cumprida. E que os investimentos públicos não serão prejudicados, pois não há incompatibilidade entre as duas coisas. De fato não há, ou não deveria haver.
Mas os números da execução financeira do Tesouro, até abril, e a revisão da programação orçamentária, divulgada na última semana, levantam dúvidas.
Vejamos.
Frouxidão fiscal? II
A começar por duas informações básicas: já chega a R$ 23 bi a queda na previsão de arrecadação para este ano; os investimentos federais até agora cresceram pouco mais de 2% em relação ao ano passado ao mesmo tempo em que as despesas com a máquina pública subiram mais de 10% no mesmo período.
(Foto: Jonas Oliveira / Placar)
A meta de superávit será alterada, descontando-se do
prometido pelo menos R$ 40 bi de despesas do PAC?
Para não propor mais cortes nos gastos por causa de tais resultados, o que o mundo político execra sempre e mais ainda em anos eleitorais, o Tesouro já partiu para algumas prestidigitações, revisando para cima as previsões de receitas “atípicas” e cobrando mais transferência de dividendos das empresas estatais.
Por isso, juras à parte, sussurra-se cada vez com mais estridência na capital que a meta de superávit primário [recursos para pagar os juros da dívida pública] será alterada, descontando-se do prometido pelo menos R$ 40 bi de despesas do PAC.

