Adelson Elias Vasconcellos
Que capital comprou a carta do Mino?
Não haveria castigo pior do que, sem ser acusado e condenado formalmente, ser rotulado pela própria opinião pública como corrupto
Há um texto do Estadão em que se comenta a tentativa de Lula em defender seu legado político, por temer que, a depender do resultado do julgamento pelo STF do Mensalão, e segundo ele entende, as boas coisas que fez como presidente fiquem esquecidas.
Neste mesmo texto, Lula contraria a opinião de José Dirceu que afirmou recentemente que a CPI do Cachoeira, armada e incentivada pelo PT para interferir no julgamento do mensalão, foi erro. Na tentativa de desconstruir a denúncia de corrupção produzida pelo Ministério Público e desqualificar seus algozes, petistas tinham como alvos preferenciais na CPI o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o ministro Gilmar Mendes, do STF, e setores da imprensa.
As tentativas de se atingir o ministro Gilmar Mendes foram o que se tem de pior em termos de baixaria. Como fuçaram o quanto puderam na CPI e ali nada foi encontrado, a última cartada foi oferecer capital ao Mino para criar uma reportagem de capa de seu pasquim, tentando criar uma falsa denúncia contra o ministro. A coisa é tão grotesca que sequer vale lembrar dos detalhes sórdidos. Basta informar que contrataram um pistoleiro de aluguel, para produzir um documento fajuto para incriminar Gilmar Mendes como beneficiário doe esquema de Valério em Minas. É bom lembrar a visita que Lula fez ao mesmo ministro tentando chantageá-lo, matéria de grande repercussão na imprensa e que, até esta data, Lula não conseguiu desmentir.
Não é a primeira vez que Mino se presta a um papel tão canalha quanto este e sempre a serviço do PT. O seu pasquim era e continua sendo lixo impresso que sequer merece ser alcunhado de “órgão” de imprensa. E Mino, parece, chegou ao mais baixo grau de profissionalismo que se possa admitir, não pelas porcarias que resolveu editar e publicar, mas vender sua dignidade por qualquer centavo do oficialismo degradado da política brasileira.
Como ainda faltam alguns dias para início do julgamento, acredito que ainda teremos mais algumas surpresas na medida em que o desespero vai batendo nesta gentalha. É visível notar o transtorno de que foi tomado o ex-presidente Lula.
Vive afirmando que quer ser julgado pelo que fez e não pelo que não fez. Muito embora não tenha sido arrolado no processo, Lula não conseguirá se esquivar da pecha que a história vai lhe cravar: a de ter autorizado o funcionamento em seu governo do maior esquema de corrupção da história do país. Porque o fato é que se tratava de um esquema que não visava a um enriquecimento ilícito do ponto de vista financeiro.ç Tratava-se de submeter um outro Poder da República, aos caprichos do Executivo . De certa forma, isto até hoje ainda persiste, só que o prêmio são cargos e verbas ditas parlamentares. Porém, ali se tratava de subverter a ordem democrática colocando o Executivo com um poder quase absoluto sobre a sociedade.
Nem se precisa ter batom na cueca, ou vídeo gravado, ou algum e-mail suspeito. Ou caseiros e motoristas como testemunhas a desmascarar a as versões oficiosas de que nada houve ou não sabia de nada.
Nem quando oposição e presidente do seu partido, Lula deixou de dar cartas sobre as ações de seus companheiros. Ninguém é inocente de imaginar que, na presidência, e como uma ascensão quase absoluta sobre o PT, Lula consentiria que o mensalão acontecesse nas suas barbas sem que ele consentisse. Claro que haveria um entendimento entre todos de que, se o esquema fosse descoberto, Lula seria poupado à última instância.
Assim, por mais que tente negar, por mais que tente desqualificar o roteiro do mensalão, por mais que tente constranger e intimidar seus opositores, Lula jamais se livrará do rótulo que seu governo emplacou: a de um governo corrupto.
Em seus oito anos, foram mais de 160 casos e escândalos de corrupção descobertos, fora o que foi jogado para debaixo do tapete, e que não foi pouco. Todos os casos tiveram nascimento, vida e morte, a partir de 2003. Foi uma farra gigantesca, razão pela qual os recursos para investimentos nunca passaram do trivial.
Lula, com todas as suas artimanhas e estratégias, não conseguiu impedir que a avalanche o atingisse. Todos os discursos inconsequentes, toda a fortuna em publicidade asquerosa, toda a farsa com que tentou reconstruir a história do país, manipulando fatos e personagens para desenhá-los à sua imagem e semelhança, foram inúteis para suportar o peso que a verdade vai se abater sobre seu personagem que, de maneira ficcional, tentou se vender com deus, sem nunca abdicar da personalidade leviana e imoral. Talvez a cadeia transformasse Lula em mártir. Mas quis o destino aplicar-lhe pena mais dolorosa e, quem sabe, mais justa como forma de colheita para a semeadura que lançou ao longo destes anos todos. Não haveria castigo pior do que, sem ser acusado e condenado formalmente, ser rotulado pela própria opinião pública como corrupto. E esta marca o tempo não apaga, porque a verdade tem sempre uma só face.
No post anterior, desenhado e descrito em detalhes, reportagem do jornal O Globo demonstra o caminho que o dinheiro, datas, valores e beneficiários. Chega a ser cansativo deixar claro para aqueles ainda refratários da existência do mensalão, além do objetivo canalha a que se prestava, tantas provas, documentos e testemunhos embasando todo o roteiro. Os dados da reportagem foram retirados do laudo pericial feito pela Polícia Federal e que dá sustentação às acusações apresentadas pela Procuradoria Geral da República.
Portanto, se alguém vier encher o saco do leitor com o papo de caixa 2, golpe das oposições para derrubarem o Lula, desenhe-lhes o gráfico do post anterior. E deixe-os falando sozinho. Contra fatos não há patifaria que consiga demonstrar o contrário.
