domingo, julho 29, 2012

Julgar o STF? Claro que não. Mas avaliá-lo? Claro que sim.


Maria Helena R. R.  de Souza
Blog do Noblat

Se a ministra Eliana Calmon disse que só conhece o processo do mensalão pelos jornais, imagina uma simples cidadã como eu. Ou você?

E, no entanto, palpitamos a plenos pulmões, com a facilidade que nós, brasileiros, temos para, em poucas leituras, nos tornarmos experts em tudo. Um primo que foi um gato hetero e requisitadíssimo desde o berço, apaixonado por futebol, durante os jogos da Copa do Mundo preferia ver um argentino ao seu lado que a mais linda das moças. “Durante a Copa, elas se acham mais que o João Saldanha e falam mais asneiras por minuto do que meus ouvidos toleram...”

Assim somos...

Sábado retrasado fui a um almoço cujo prato principal era uma feijoada, acompanhada do bóson de Higgs. Fiquei espantadíssima ao ver amigos de infância e adolescência de repente professores do Stephen Hawkins. E no último sábado fui a um cozido acompanhado do julgamento do mensalão. No meio da algaravia que se seguiu, a sala cheia, percebi dois calados: o dono da casa, Procurador da República aposentado, e eu.

Não pensem que me calei por um inesperado acesso de bom senso. Não, nada disso. Ando deprimida, sem ânimo para discutir. Simples assim.

Mas, e nosso anfitrião? Inquirido, sorriu e disse: Estou só aprendendo, só aprendendo. E espantado ao ver como circularam os volumes do processo. Todos aqui parecem ter lido tudo!

Daqui a poucos dias entraremos numa espécie de moenda: os meritíssimos começarão por debater se apenas 3 dos 38 réus podem ser julgados pelo STF! Com essa eu não contava... Não acredito que essa discussão vá dar frutos, mas dizem que talvez sirva para balizar de vez a questão. Tomara.

Creio que o STF honrará seu papel. Saberá respeitar nossos valores e cumprir o que diz o Livrinho. O contrário seria a morte de nossa democracia.

Só uma dúvida toca  meu espírito: o ministro Dias Toffoli. Muito jovem, em primeiro lugar, para ocupar o lugar que ocupa. Mas juventude não é defeito, nem doença. Já a falta de preparo para o cargo, essa é um imenso defeito e demonstrativo de doença grave: o excesso de vaidade.

Será que um simples bacharel em Direito, duas vezes reprovado em concurso para juiz estadual em São Paulo, tem condições de julgar na mais alta corte do país um processo no qual figuram pessoas que foram seus chefes, já que ele foi, entre outras coisas, advogado do PT?

Por mais que me esforce, não consigo acreditar que a sabedoria jurídica necessária num processo dessa monta se aprenda por osmose. E sei que nunca o peso da opinião pública foi tão real – pois trata-se de opinião formulada por nós mesmos nas diversas redes sociais.

Não vamos julgar o STF, mas que vamos avaliar sua atuação e a de seus componentes, disso estou certa. E a hora é essa.