terça-feira, julho 10, 2012

A dança das quadrilhas


Comentando a Notícia

Apesar do discurso hoje ter mudado um pouco apenas, a ameaça da CUT de ir às ruas defender os mensaleiros é uma daquelas palhaçadas sem explicação e sem justificativa. 

O texto da Folha, por Mariana Carneiro, traz as falas do novo chefão da CUT que demonstram que, para esta gente, não é a defesa do trabalhador sua principal missão. E o que não faltam são motivos suficientes para se ocuparem em defender os trabalhadores.

Há muito que a CUT deixou de ser uma central sindical para transformar-se num partido político de arruaceiros. E isto se intensificou a partir da chegada do PT ao poder, quando  inauguraram o que se convencionou chamar de República Sindical. Contudo, dado o comportamento destrambelhado com que tem agido, sempre em defesa do PT, independente do partido estar certo ou errado, esta servidão cega e obtusa, em troca da grana do imposto sindical e cargos grátis na esfera federal, as declarações feitas por seu presidente em severo tom de ameaça ao Supremo Tribunal Federal, afrontando estupidamente a lei e a ordem legal do Brasil, mais parece desejarem fundar uma ditadura sindical do que participarem de uma legitimidade democrática regulada por um estado de direito.  

Já afirmei em outras vezes mas sempre é bom frisar: não compete a nenhuma central sindical e sindicatos servir de tropa de choque para qualquer partido político. No caso, se pode dizer até que mais parecem bucha de canhão do que outra coisa. Se é na militância política que desejam atuar, fecham esta birosca e fundem um partido político. Vamos ver se este comportamento estúpido será aceito pela sociedade brasileira. É bom lembrar que o PT somente chegou ao poder quando abrandou seu discurso e assumiu um comportamento decente. No poder, porém, o que mais tem feito além de promoverem falcatruas de todo o gênero, é tentarem desestabilizar as instituições democráticas 

O que deseja o pessoal da CUT não é exercer a liberdade de expressão, querem é promover baderna, arruaça e, neste caso, polícia para quem precisa por não se comportar de modo civilizado. Protestar, senhores, é uma coisa completamente diferente do que promover arruaças afrontando a constituição e o tribunal superior do país. Liberdade de expressão só se legitima como direito quando exercido com responsabilidade. Mais parece uma quadrilha defendendo uma facção de criminosos.    

Segue o texto da Folha.

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CUT diz que irá às ruas para defender réus do mensalão


O novo presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vagner Freitas, 46, diz que pode levar às ruas a força da maior central sindical do país para defender os réus do mensalão, que começarão a ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal em agosto.

"Não pode ser um julgamento político", disse Freitas à Folha. "Se isso ocorrer, nós questionaremos, iremos para as ruas." Freitas será empossado presidente no congresso que a CUT realizará nesta semana em São Paulo.

A abertura do evento hoje deverá contar com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A central nasceu como uma espécie de braço sindical do PT nos anos 1980 e a maioria dos seus dirigentes é filiada ao partido.

Freitas disse temer que o julgamento do mensalão se transforme em mais um campo de batalha entre os petistas e seus adversários, e afirmou que isso poderia colocar em risco os avanços sociais conquistados pelo país após a chegada do PT ao poder.

"Nós vivemos um bom momento político e a estabilidade é importante para os trabalhadores", disse o sindicalista. "Não queremos um país desestabilizado por uma disputa político-partidária, entre o bloco A e o bloco B."

Se isso acontecer, a central não ficará de braços cruzados: "A CUT é um ator social importante e não vai ficar olhando", afirmou Freitas.

Em 2005, quando o escândalo do mensalão veio à tona, a CUT reuniu 10 mil pessoas em Brasília para uma manifestação em defesa do governo Lula. O protesto foi organizado logo depois da queda do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, um dos réus do processo no STF.

Nos últimos meses, sindicatos ligados à CUT serviram frequentemente de palco para os réus do mensalão apresentarem sua defesa. O próprio Dirceu foi a congressos estaduais da central neste ano para falar sobre a conjuntura política e o julgamento.

No ano passado, foi numa plenária da CUT em Guarulhos, na Grande São Paulo, que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares lançou uma campanha para mobilizar militantes em sua defesa.

Delúbio, que foi dirigente da CUT antes de cuidar das finanças do PT, foi expulso do partido no auge do escândalo e reintegrado no fim do ano passado. Ele e Dirceu receberam manifestações de apoio nos encontros da central.

Ligado ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Freitas será o primeiro representante da categoria a comandar a CUT, que foi dirigida por metalúrgicos do ABC paulista na maior parte dos seus quase 30 anos de existência.

Há duas semanas, ele liderou uma manifestação que reuniu 2.000 militantes na avenida Paulista, no centro de São Paulo, para protestar contra a situação do transporte público da cidade e fazer ataques ao prefeito Gilberto Kassab (PSD) e ao governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Nas eleições deste ano, os problemas na área de transporte são um dos principais temas do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. O ex-governador José Serra (PSDB) concorre com o apoio de Kassab e Alckmin e é apontado pelas pesquisas como favorito.