O Globo
Com informação da Reuters
Segundo a Anac, tarifa média foi de R$ 276,25 no ano passado
RIO — A tarifa aérea média doméstica fechou 2011 em queda de 6,8% sobre um ano antes, para R$ 276,25, informou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) nesta segunda-feira. Se considerado apenas dezembro do ano passado, a tarifa média foi de R$ 316,28, queda de 2,35% sobre novembro e de 0,15% sobre dezembro de 2010.
“O valor apurado em dezembro de 2011 representou menos da metade do valor pago pelo passageiro há nove anos”, informou a Anac, em comunicado.
Já o Yield Tarifa Aérea Média Doméstica, indicador que mede o valor médio pago pelo passageiro para voar 1 quilômetro no Brasil, foi de R$ 0,3493 de janeiro a dezembro de 2011, perda de 10,3% na comparação com o mesmo exercício do ano anterior.
O yield foi de R$ 0,3811 em dezembro de 2011, 5,97% inferior ao de novembro e 0,33% menor sobre um ano antes.
“Quando comparado com dezembro de 2002, nota-se que o passageiro pagou aproximadamente 36%, praticamente um terço, do que pagava há nove anos para voar 1 quilômetro”, afirmou a nota.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Se a gente for analisar o balanço das principais companhias aéreas, verificará o enorme rombo financeiro de todas elas. Pergunto: o preço praticado mais baixo, quando se sabe que os custos andam no sentido inverso, não estaria dentro da política já condenada aqui, de concorrência predatória, o que levaria ao estrangulamento econômico destas mesmas companhias e prejuízo direto, no curto prazo, para todos os usuários, em razão do mau serviço que acabará sendo prestado?
O que o governo, e a ANAC em especial, deve observar é que não se pode, em nome de um projeto político, tumultuar uma atividade estratégica.
É muito bom que o pobre possa andar de avião? Claro que sim, ainda mais se este benefício puder capitalizar votos. Contudo, que esta possibilidade se dê pelo aumento da renda do usuário e não pela regressão, manipulação e subsídios do governo no preço praticado. Porque, no fundo, o benefício de uns acaba bancado, injustamente, por todos. Além de, no curto prazo, criar problemas operacionais e de qualidade de serviços dada à má condição econômico-financeira das principais companhias aéreas.
Apenas para que se tenha uma ideia da falta de seriedade com que a ANAC trata este assunto, TAM e GOL, as duas líderes do mercado, juntas amargaram, em 2011, um prejuízo de R$ 1 bilhão. E a GOL, conforme se sabe, reduziu seus números de linhas e de voos, além de se obrigar a desempregar cerca de duas centenas de funcionários.
Assim, este anúncio de que as tarifas caíram em 6,8% deveria, muito antes de ser comemorada, ser vista com muita apreensão pelas autoridades. Algo não fecha nesta conta. E não é de hoje que estamos alertando sobre esta questão.