terça-feira, julho 10, 2012

Juquinha é maior do que Cachoeira


Leonardo Attuch
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Se ele fez para sua família um pé de meia de R$ 60 milhões, o que não terá feito pelos padrinhos, que sabiam o que presidente da Valec fazia?

Goiás é hoje o centro nervoso do País.

Talvez do universo.

Se era difícil imaginar um escândalo capaz de rivalizar com o do bicheiro Carlos Cachoeira, ele está aí. É o do “Juquinha”, não aquele simpático rosto da bala famosa, mas o do ex-presidente da Valec, a estatal que cuida dos projetos ferroviários no País.

Juquinha, apelido de José Francisco das Neves, cuidava de projetos bilionários, como a ferrovia Norte-Sul. Não tivesse sido atingido pela “faxina” de Dilma Rousseff, ele estaria hoje à frente do trem-bala, a ligação férrea entre Rio de Janeiro e São Paulo, orçada em mais de R$ 35 bilhões.

Pois o caso Juquinha é maior do que o caso Cachoeira. De acordo com a Polícia Federal, nos oito anos em que pilotou a Valec, entendendo de trens tanto quanto eu ou você, ele fez um pé de meia para sua família estimado em R$ 60 milhões.

Indicado pelo PR de Valdemar Costa Neto e apadrinhado pelo PMDB de José Sarney – por sinal, o inventor da Norte-Sul –, Juquinha estava na Valec para fazer o que quase todos os políticos esperam que seus apaniguados façam no setor público: arrecadar.  E se Juquinha foi capaz de fazer R$ 60 milhões para consumo próprio, o que não terá feito para os seus padrinhos?

O erro do homem forte das ferrovias foi não ter assistido o filme “O Assalto do Trem Pagador”, clássico do cinema nacional, que inspirou o nome da operação da Polícia Federal que o prendeu. Lá, os bandidos vão em cana porque não respeitam a decisão de gastar só depois que o roubo fosse esquecido.

Juquinha, ao contrário, não se preocupou em esconder os sinais exteriores de riqueza. Em vez de construir uma mansão apenas em Alphaville, o mesmo condomínio de luxo onde Cachoeira foi preso, ele fez três!!!! Três!!!

Não precisava, né, Juquinha?

O que precisa, agora, é o Brasil tomar jeito e parar de indicar Juquinhas para ocupar funções relevantes. Coisa que a presidente Dilma tem tentado fazer, enfrentando enormes dificuldades políticas, mas, por outro lado, colhendo popularidade.

A era dos Juquinhas – e também dos Cachoeiras – tem que acabar.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Para que se acabe a “era dos juquinhas” como pretende Leonardo Attuch, é preciso, antes de mais nada, que os “juquinhas” permaneçam presos, sejam julgados, condenados e cumpram pena sem benefícios adicionais. Neste dia, quando muitos “juquinhas” estiverem cumprindo pena de prisão, se estará dando um recado direto aos muitos outros juquinhas soltos por aí. 

Também seria saudável que alguns veículos de comunicação financiados com dinheiro público, parassem com o lero-lero de defender aloprados, mensaleiros e outras quadrilhas mais. Já há muito bandido solto por aí, para alimentarmos a formação de mais quadrilhas na vida pública. Não só os veículos mas também muitos jornalistas simpatizantes da esquerda. 

Aliás, eles poderiam até começar um movimento pela decência: a de se acabar com as centenas de estatais inúteis espalhadas pelo país, tipo a Valec que só servem para abrigar juquinhas. Poderiam também cobrar maior respeito com o dinheiro público exigindo que se ponha um fim nestes mais de 20 mil cargos onde o que não faltam são juquinhas. Aliás, tanto as estatais inúteis quanto os mais de 20 mil cargos de confiança, foram criados justamente para servir de maternidade de juquinhas.

Podem não exterminar a raça toda de juquinhas, afinal eles são muitos, são milhares. Mas as sugestões acima seriam  excelentes passos na direção correta para que a raça não se prolifere com tamanha rapidez  como vem ocorrendo desde 2003.