Leiam este trecho de Vitor Matos do Portal G1. Comentaremos em seguida.
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou nesta terça (17) que “não há margem fiscal para ir além” da proposta de aumento que o governo ofereceu aos professores federais em greve. Na semana passada, o governo apresentou novo plano de carreira e reajuste de até 45%, mas parte da categoria é contra. “O valor da proposta [tem impacto] de R$ 4 bilhões. Não há margem fiscal para ir além”, afirmou o ministro, após participar, em Brasília, de reunião com 42 reitores de universidades em greve.
Os professores têm de entender o momento pelo qual o país passa e que outros servidores não tiveram aumento” Aloizio Mercadante, ministro da Educação Mercadante enfatizou a dificuldade que o governo tem de conceder aumento em um momento como o atual, de crise financeira no mundo.
“O governo tem priorizado enfrentar a crise e preservar o emprego de quem não tem estabilidade. [...] Os professores têm de entender o momento pelo qual o país passa e que outros servidores não tiveram aumento”, disse Mercadante. Na reunião, de acordo com o ministro, ele ouviu dos reitores o pedido de antecipação, por parte do governo, do reajuste dos professores, previsto para vigorar a partir de 2013. “Não tenho, da área econômica, resposta sobre antecipação dos salários”, respondeu o ministro.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
As universidades federais e escolas técnicas completaram dois meses de greve. Atenção: são dois meses em que milhares de alunos estão sem aulas, alunos que se preparam para entrar na vida profissional. Coisa da qual o Brasil. está muito carente. O próprio governo reconhece que precisou suspender projetos por falta de pessoal qualificado em seus quadros, o que é absurdo, mas vá lá. Admitamos a desculpa como um fato.
Pois bem: qual deve ser a prioridade numero um de qualquer governo? Educação, certo? E aí, depois de em 2011 as faculdades federais já terem ficado em greve durante quatro meses, agora rumam para fechar outro tempo de parada além da conta. Quem será prejudicado, terrivelmente prejudicado nesta história toda? Os professores? Não, de um modo ou de outro acabarão recompensados. Os sindicalistas já mandaram avisar que não haverá desconto dos dias parados, no que já disse, desde o princípio quando Dilma mandou cortar o ponto da turma, de que não haveria a menor chance disto acontecer. Quem mais poderá ser prejudicado, o governo? De maneira alguma, até poderia perder alguns pontos na escala de aprovação junto à população, mas nada que uma boa dose de campanha publicitária asquerosamente canalha além de notinhas indecentes publicadas pela mídia submissa ao poder, não consiga recuperar. Somente uma categoria já perdeu e sairá perdendo ainda mais: os alunos. Irremediavelmente, para quem está na universidade desde 2011, aqueles quatro meses parados conjugados com os dois meses que poderão se prolongar ainda mais em 2012, será um castigo imerecido: os alunos terão suas carreiras irremediavelmente atrasadas com suas formações acadêmicas prejudicadas. O tempo que se perde na formação escolar ou acadêmica, e isto é básico para qualquer pedagogo, está perdido, pode ser consertado em parte, mas no todo, a deformação estará feita.
Reparem num detalhe: Mercadante afirma não haver margem fiscal para ir além do que foi oferecido. Muito bem: a colocação do ministro, vejam nos jornais, é dado justo no dia em que o governo viu aprovada a MP que autoriza o Tesouro Nacional repassar ao BNDES a importância de R$ 45,0 bilhões. Pois bem, este repasse se dará com o Tesouro emitindo títulos da dívida, que serão remunerados pela SELIC, para o BNDES emprestar a juros subsidiados para apenas algumas empresas colaboradoras do caixa do partido chamado PT. Afinal é ano de eleição. Esta dinheirama, sabem todos, não será distribuída para quem precisa, mas para quem já pode muito e sabe ser generoso em tempos de campanha eleitoral com o partido do governo.
Assim, esta balela de defender empregos para os que não tem a estabilidade de que gozam os servidores públicos, caso dos professores das federais, é pura cascata. Pergunto: faltam empregos no Brasil? Há alguma onda de desempregos em massa acontecendo por aí? Existem, sim, em alguns ramos industriais mas será o dinheirinho do BNDES que irá evitar que eles aconteçam? Ali, os desempregos se dão por razões estruturais como carga tributária, infraestrutura deficiente, burocracia asfixiante, pagamento antecipado de impostos, etc. Nada a ver com crédito porque crédito não falta, falta é capacidade do governo em fazer sua parte.
Assim, ou Mantega está mentindo sobre uma crise que em absoluto não afeta a questão fiscal, ou Mercadante está tratando de enrolar para tirar vantagem e ganhar tempo. A questão das federais, é bom que se acrescente, não está apenas na questão de salários. Está e muito na falta de estrutura, na falta de empenho do governo em dar um mínimo de condições de funcionamento, com qualidade. Criou-se vagas que permanecem ociosas. Gerou-se novos campus cujas obras ou ficaram pelo meio do caminho ou sequer saíram do papel.
Sempre fui e serei contra a greves de servidores públicos, por mais justas que sejam suas reivindicações. E por uma única razão: quem paga o pato é quem menos merece sofrer que é a população. Ela paga para ter serviços públicos, se o governo não dá destinação competente ao dinheiro, que os sindicatos tentem outro caminho para pressionar que não venha em prejuízo de quem já pagou por um serviço que agora está sendo negado e sonegado. E normalmente quem mais sofre são os mais pobres, os mais necessitados.
Contudo, no caso presente, esta greve está se estendendo além da conta, do razoável, por absoluta falta de interesse do governo em ver resolvida a questão rapidamente. Tenta ganhar tempo, empurra com a barriga, é inoperante, é evasivo, é omisso, é incompetente e é um péssimo governo porque está punindo os alunos que, ao final desta milonga, serão os únicos prejudicados, com suas formações profissionais totalmente distorcidas e comprometidas.
Devem os sindicatos promoverem mais barulho, e a exemplo do que já fizemos, mostrar para a sociedade quem está fazendo o papel de cretino nesta história. Mostrar as deficiências físicas, as faculdades de lata no Rio por exemplo, a falta de material didático, a falta de professores em muitas cadeiras, enfim, exibir toda a deficiência estrutural a que o governo federal condenou grande número de universidades. Em outras palavras: já que se chegou num impasse, que se faça muito barulho para que os professores não saiam mal vistos pela opinião pública desta história. Este governo é de faz de conta, é ruim de serviço, é incompetente, e o espírito que o orienta é autoritário, pouco afeito a negociar em regime democrático. Decidiu que não daria aumento e fim de papo.
E, de outro lado, também os alunos devem abraçar as mesmas causas, as mesmas bandeiras, mostrar as carências e dificuldades que precisam enfrentar diariamente em universidades totalmente deficitárias em sua estrutura.
É uma herança maldita, conforme já demonstramos aqui, da dupla Lula-Haddad. Mas apenas apontar a mistificação deles não resolverá os problemas atuais. É preciso que se exija do governo maior responsabilidade e total comprometimento com a Educação brasileira. Recursos há, falta é vontade de fazer. O que se disser ao contrário, portanto, é pura lorota, ou do Ministro Mantega a mando de sua presidente, para negar ir adiante, ou de Mercadante, também a mando da mesma chefia, mas para enrolar e empurrar com a barriga para tentar vencer no cansaço.
Apenas um grão de areia numa imensa Copacabana: o novo senador, Wilder receberá R$ 13 mil em julho e auxílio-mudança. Ele assumiu no lugar do cassado Demóstenes Torres. Ele receberá desde que tomou posse, mesmo não indo ao Senado no mês. Sabem quantos dias a figura trabalhou para receber R$ 13 mil reais de “salário”? UM DIA. Isto é apenas um pequeno exemplo do enorme câncer que se chama péssimo gasto público. Pergunto: quem é o irresponsável pela bagunça? Com certeza não são nem os alunos, tampouco seus professores das federais, e muito menos ainda a sociedade.
Engraçado é que para distribuir benefícios para “apenas” algumas empresas, além de dar dinheiro para governos latinos, que só nos apunhalam, ou para comprar os votos do Congresso com farta distribuição de dinheiro para os políticos da base, o governo tem dinheiro sobrando e só vê a crise no noticiário como Dilma declarou bem recentemente. Para aumentar salários, aí o governo vem com o papo furado de crise? Incoerência ou patifaria?
É, a herança maldita herdada por Dilma do governo irresponsável do menos irresponsável Lula, está sendo um fardo difícil de carregar. Mas, na campanha, a então candidata fazia pouco caso quando era indagada sobre “questão fiscal”. Está colhendo o que ajudou a plantar.
Mais tarde voltaremos ao tema educação. O fundo do poço é mais fundo do que a gente pensava e do que o governo “inventou” em contar.