quarta-feira, julho 18, 2012

Inacreditável: Mantega indica vice-presidente da Gol para presidir CVM


Cristiane Bonfanti e Bruno Rosa
O Globo

Escolha de Leonardo Pereira surpreendeu o mercado, que esperava indicação técnica

TERCEIRO / DIVULGAÇÃO/GOL 

Leonardo Pereira será avaliado pela 
Comissão de Assuntos Econômicos do Senado

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, indicou ontem o economista e engenheiro Leonardo Gomes Pereira, vice-presidente financeiro da Gol, para assumir a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em substituição a Maria Helena Santana, que deixou o cargo no último sábado, depois de um mandato de cinco anos. O executivo vai se desligar da empresa aérea para assumir o novo cargo. A nomeação de um profissional não diretamente ligado a entidades do mercado de capitais surpreendeu analistas.

Com a saída de Maria Helena, a presidência da CVM está sendo ocupada interinamente pelo diretor Otavio Yazbek, seguindo um procedimento previsto em decreto de 2010, segundo o qual o diretor deveria ocupar a posição quando houvesse impedimentos legais e regulamentares à presidente. Há meses, o mercado financeiro e a própria CVM aguardavam com grande expectativa a escolha do novo titular do posto, apelidado de “xerife” devido ao poder do presidente da autarquia que fiscaliza e regula o mercado de capitais brasileiro.

Pelas regras atuais, a escolha coube ao ministro Guido Mantega, mas diversos grupos tentaram emplacar seus candidatos à função. A escolha de Pereira surpreendeu profissionais do mercado, que esperavam uma indicação mais técnica, de alguém ligado à BM&FBovespa ou à própria CVM. O nome do advogado Otavio Yazbek, por exemplo, despontava como favorito. Também era cogitado Sérgio Weguelin, superintendente do BNDES com passagem pela posição de xerife.

Procurada, a CVM disse que não comentaria a indicação.

Pereira ingressou na Gol em 2009. Além de vice-presidente de finanças, ele integra o Comitê Executivo da companhia aérea e é responsável por áreas como a de planejamento estratégico e de relações com investidores. O executivo também já ocupou cargos no Citibank, na Net e na Companhia Vale do Araguaia.

Agora, Pereira passará por uma sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado antes de ser empossado para um mandato de cinco anos. No mês passado, ele fechou um acordo com a CVM e propôs pagar R$ 200 mil para encerrar um processo em que era acusado, como diretor de Relações com Investidores da Gol, de não ter publicado fato relevante sobre alterações nas projeções da companhia aérea, em julho do ano passado.

Para o advogado Luiz Leonardo Cantidiano, sócio do escritório Motta, Fernandes Rocha Advogados e ex-presidente da CVM, o fato de o escolhido vir do setor privado pode sugerir interesse do governo em que a autarquia tenha agenda mais centrada no desenvolvimento do mercado, disse à agência Reuters.
Executivo tem perfil descentralizador

Indicado para assumir a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o economista e engenheiro Leonardo Gomes Pereira, de 54 anos, é considerado um executivo de perfil descentralizador pelos colegas de trabalho. Funcionários mais próximos também atribuem a ele uma característica de cordialidade.

— Ele dá autonomia para a equipe, mas cobra na hora que tem que cobrar de um jeito educado — diz um funcionário da Gol, onde Pereira trabalha desde 2009 e é conhecido como Léo pelos mais próximos. — Ele é gente boa e tem trato fácil, fala com todos.

Bacharel pela UFRJ e Candido Mendes, com MBA no exterior (Inglaterra), Pereira tinha como função, na área de finanças da Gol, se relacionar com investidores. Por isso, conheceria de perto os agentes do mercado financeiro. Mas entre os sócios de corretoras e gestoras, poucos ouviram falar dele.

Segundo um advogado especializado em mercado de capitais, a indicação quebra uma praxe das últimas décadas na autarquia.

— A praxe tem sido a Fazenda indicar alguém que está atuando no mercado, como um advogado ou intermediários (executivos da Bolsa), ou um diretor da própria CVM — explicou. — Ele tem vivência do outro lado do balcão, do lado empresarial.

Dos 17 presidentes que a CVM já teve desde 1977, dez eram advogados ligados ao setor financeiro. Somente dois, sem contar com o próprio Pereira, tinham formação de engenheiro: José Luiz Osório e Thomás Tosta de Sá, mas ambos com vasta experiência no mercado.

Se seu nome for aprovado no Congresso, Pereira não será, no entanto, o primeiro presidente da CVM com origem no meio empresarial. Com perfil semelhante assumiram o posto Roberto Faldini (em 1992, no governo Collor) e Victorio Cabral (1986, no governo Sarney).

Segundo o diretor de uma corretora, a indicação seria positiva porque Pereira não demonstra um perfil de “carreirista público”.

(Colaborou Bruno Villas Bôas)

******* COMENTANDO A NOTÍCIA: 
Só para entender: a Gol não é aquele companhia que teve um prejuízo de R$ 700,0 milhões em 2011 e, recentemente, dispensou funcionários e reduziu seus voos? Então, como “bônus” por sua atuação como vice presidente financeiro, o Mantega promove o distinto para presidir a CVM? Só no Brasil do PT camarada com este currículo é promovido!!!! Santo Deus! Não precisamos de crise externa para nos abraçar ao atraso!!!

Ah, talvez o leitor esteja achando que este blogueiro está duro demais com o nomeado. É? Pois então leiam o comentário do Carlos Newton, Tribuna da Imprensa, e conheçam um pouco sobre o currículo do “premiado” por Mantega. O Senado faria um bem danado à instituição CVM se reprovasse a indicação. Se o fizesse demonstraria que seus membros não se tornaram vaquinhas de presépio do Executivo.

******

Escândalo na Fazenda. Mantega nomeia para presidir a CVM um executivo que estava sendo investigado e acusado pela própria autarquia.

Era só o que faltava. O executivo Leonardo Pereira foi indicado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para ser o novo presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em substituição à Maria Helena Santana, cujo mandato encerrou-se em 14 de julho. Com isso, Pereira, que será sabatinado pelo Senado Federal, deixa a vice-presidente de Finanças e a diretoria de Relações com Investidores da Gol.

A nomeação é inacreditável, porque Leonardo Pereira vinha sendo investigado e acusado de irregularidades pela própria CVM. No início deste mês, ele ofereceu pagar 200 mil reais para encerrar o processo em que era investigado, como diretor de Relações com Iinvestidores da empresa aérea, por não ter publicado fato relevante em julho do ano passado avisando sobre mudança de projeções de resultados da companhia aérea.

Pereira foi acusado também por ter incluído projeção inicial, divulgada em 04/01/2011, e sua revisão, divulgada em 28/07/2011, no Formulário de Referência após o prazo exigido (infração ao disposto no art. 24, § 3º, inciso IX, da Instrução CVM nº 480/09). Por fim, foi acusado de não ter apresentado nos formulários de informações trimestrais a comparação dos resultados projetados com os efetivamente obtidos nos trimestres do exercício de 2011 (infração ao disposto no art.20, § 4º, da Instrução CVM nº 480/09).

Pois é este executivo ilibado e acima de qualquer suspeita que acaba de ser indicado pelo ministro Mantega para presidir a própria CVM. A decisão surpreendeu profissionais do mercado, que esperavam que o novo presidente viesse do Colegiado da CVM ou da BM&FBovespa.

“Ele não tem formação técnica nem jurídica, o que pode ser um problema”, disse à agência Reuters uma fonte próxima à autarquia que preferiu não ser identificada. Pereira é engenheiro e economista.

Seu nome terá de ser submetido ao Senado. Alguém tem dúvida sobre a aprovação dele? Os senadores certamente vão considerá-lo o homem certo no lugar certo.

Mas que país é esse, Francelino Pereira?