terça-feira, agosto 28, 2012

BC e MP investigam megafornecedor da Petrobras


247

Grupo Schahin, que teve rombo bilionário socorrido pelo fundo garantidor de crédito, também possui contratos na casa dos bilhões com a estatal, comandada por Graça Foster

Foto: Divulgação 

Ocorrida há um ano, a venda do Banco Schahin para o mineiro BMG hoje é alvo de uma investigação do Banco Central e do Ministério Público. Isso porque, de acordo com investigação do BC, havia um rombo de R$ 1,1 bilhão nas contas do Schahin, que foi socorrido com recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

O caso foi revelado em reportagem deste domingo do jornal Estado de S. Paulo, assinada pelos jornalistas David Friedlander e Leandro Modé. De acordo com a apuração do BC, o banco do empresário Salim Schahin, inflava seus balanços com créditos duvidosos para fingir que era saudável. Na venda ao BMG, o banco indicou patrimônio positivo de 229 milhões, quando, na verdade, deveria ser, segundo o BC, negativo em R$ 1,3 bilhão.

O BC abriu processo administrativo para eventualmente responsabilizar os controladores, que foram socorridos pelo FGC e não perderam patrimônio – como ocorria, por exemplo, com banqueiros quebrados que eram socorridos pelo Proer. E também encaminhou o caso ao Ministério Público Federal.

O caso do Schahin é ainda mais delicado porque o grupo se transformou num dos grandes fornecedores da Petrobras, produzindo sondas e plataformas – uma área na qual, até recentemente, não tinha muita experiência. Esse é um dos esqueletos que a atual presidente da estatal, Graça Foster, encontrou na companhia.

Leia, abaixo, reportagem anterior do 247 sobre o caso:

Graça terá que limpar herança maldita na Petrobras

A presidente da Petrobras, Maria da Graça Foster, herdou alguns abacaxis na Petrobras. Nesta quinta-feira, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados recebeu um requerimento assinado por dois deputados, João Magalhães (PMDB/MG) e Carlos Magno (PP/RO), que têm potencial explosivo. Ambos solicitam que o Tribunal de Contas da União forneça informações sobre contratos firmados entre a Petrobras e a Schahin Engenharia, do empresário Salim Schahin. De acordo com os parlamentares, a estatal teria sofrido prejuízos de mais de R$ 200 milhões, na obra do gasoduto de Caraguatatuba (SP). Isso porque o contrato teria sofrido vários aditivos para elevar o valor do projeto e uma máquina teria sido abandonada dentro da obra.

Este não é único contrato polêmico que envolve a Petrobras e a Schahin Engenharia. A Petrobras Internacional fez também um contrato com a Deep Black Drilling LLP, uma subsidiária da Schahin, em sociedade com a própria estatal, para o leasing e o arrendamento de um navio-plataforma chamado Vitoria 10000. As parcelas do leasing teriam sido pagas apenas pela estatal, o que fez com que a Petrobras Internacional enviasse correspondência à Deep Black Drilling alertando para as consequências do calote. Em resposta, o executivo Fernando Schahin, filho de Salim Schahin, pedia mais prazos para honrar seus compromissos.

Padrinho poderoso
Nos últimos anos, a Schahin cresceu muito na Petrobras, graças às boas relações com o ex-diretor de exploração e produção, Guilherme Estrella, que havia sido indicado para o cargo pelo ex-ministro José Dirceu e foi defenestrado por Graça Foster. Os contratos da empresa somam alguns bilhões, mas muitos geraram contestações no TCU. Agora, o imbróglio chega também à Câmara dos Deputados.