terça-feira, agosto 28, 2012

Dilma aumenta exigências para futuros sócios da Infraero


Valdo Cruz e Dimmi Amora
Folha de São Paulo

A equipe da presidente Dilma trabalha num modelo que deve multiplicar por oito, em relação ao primeiro leilão, a exigência de porte de um futuro sócio da Infraero na administração dos aeroportos do Galeão (RJ) e Confins (Grande BH).

Há dois projetos em estudo. Um fixa experiência comprovada na operação de aeroportos com movimento de pelo menos 35 milhões de passageiros por ano. O outro é mais rigoroso: exige operação de ao menos 45 milhões de passageiros por ano.

Dilma se inclina por alterar o modelo adotado na privatização dos aeroportos de Guarulhos (SP), Viracopos (Campinas) e Brasília. Nele, a Infraero, estatal que administra os aeroportos do país, ficou minoritária (49%).

Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress
Agora, ela encomendou um modelo em que a Infraero seria majoritária numa subsidiária (Infrapar), que administraria Galeão e Confins e ficaria com as participações da estatal nos três aeroportos privatizados.
O governo escolheria -por meio de um processo de licitação- um sócio para a Infraero na Infrapar, com experiência na administração de grandes aeroportos.

Para convencer esse sócio a entrar no negócio como minoritário, a Infraero daria a ele por acordo de acionistas total liberdade para administrar e operar os aeroportos do Galeão e de Confins.

A mudança de modelo é criticada tanto pelos grandes operadores mundiais como por empresários brasileiros, que preferem assumir o controle majoritário.

ROAD SHOW
Os operadores, contudo, já avisaram ao governo que aceitam participar, desde que sejam convencidos de que a nova proposta será rentável e segura juridicamente.

Para isso, a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) viaja para a Europa nesta semana, acompanhada do ministro Wagner Bittencourt (Aviação Civil) e do presidente da Infraero, Gustavo do Vale.

Ele vão se encontrar com representantes de companhias espanholas (que controlam aeroportos também na Inglaterra), francesas e alemãs. Dilma ficou de tomar uma decisão depois que receber relatório das conversas com esses grupos.

O limite de 35 milhões de passageiros considerado pelo governo é alto.

Apenas 33 aeroportos no mundo tiveram esse movimento no ano passado, a maior parte deles sem perfil de operar em outros países.

Se o limite aumentar para 45 milhões, apenas 19 aeroportos se classificariam.

Se o limite de 35 milhões tivesse sido imposto no leilão deste ano, haveria apenas 7 participantes e não 12. Se fosse 45 milhões, seriam 5.

O número de passageiros, contudo, é considerado insuficiente para garantir um operador adequado.

O ideal, dizem especialistas, é um processo de qualificação técnica antes de qualquer leilão, exigindo que o candidato comprove determinados atributos, o que não ocorreu no leilão passado.