O Globo
Planejamento deu por encerradas as negociações, mas sindicatos dos servidores decidiram só dar a resposta na terça-feira
Agência O Globo / André Coelho
Secretário Sérgio Mendonça, em reunião neste
domingo com representantes dos servidores
BRASÍLIA - O governo está disposto a devolver o dinheiro descontado dos servidores federais que tiveram o ponto cortado, se houver reposição dos dias parados. A oferta foi feita pelo Ministério do Planejamento, que ontem deu por encerrada a rodada de reuniões para chegar a um acordo de reajuste com o funcionalismo. O secretário de Relações de Trabalho do Ministério, Sérgio Mendonça, confirmou que a devolução do dinheiro entrou na mesa de negociações com todas as categorias. Mas deixou claro que isso só ocorrerá se houver reposição do período de paralisação.
Segundo o Planejamento, 11.495 servidores foram alvo do corte de ponto em julho, deixando de receber um valor total de R$ 20,6 milhões.
— São duas negociações em separado. Uma é o acordo com a categoria. Outra é a da reposição do trabalho. Se houver também uma possibilidade de acordo sobre a reposição do trabalho e das horas de trabalho, faremos acordo. Mas um acordo não depende do outro — disse Mendonça.
Nenhum dos 12 sindicatos e confederações de servidores que estiveram no Planejamento no fim de semana assinaram acordo com o governo. A proposta é de reajuste de 15,8%, parcelados em três anos, a partir de 2013. As entidades sindicais vão consultar suas bases hoje e dar uma resposta final até terça-feira.
Mendonça disse confiar que a maioria das categorias assinará o acordo. Até ontem, apenas professores e servidores técnico-administrativos das universidades federais haviam aceitado a proposta de reajuste, que, no caso dos docentes, é diferenciada, variando de 25% a 40%. Segundo Mendonça, agentes penitenciários também aceitaram a proposta do governo. O secretário demonstrou otimismo ao final da maratona de reuniões — desde março, foram mais de 200:
— Não tenho ainda as respostas formais. Por isso, é prudente aguardar. Mas nós tivemos a sinalização de diversas categorias, na área da agricultura (auditores fiscais), que vão topar o acordo com o governo. Saio bastante satisfeito.
Associação critica proposta
O secretário reafirmou que as categorias que não assinarem o acordo esta semana ficarão sem reajuste no ano que vem. O prazo final da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o governo enviar a proposta orçamentária ao Congresso é 31 de agosto. Os reajustes negociados com o funcionalismo devem constar da proposta.
O presidente da Associação Nacional dos Analistas e Especialistas em Infraestrutura (AneInfra), Guilherme Floriani, criticou a proposta de 15,8% de reajuste. Ele disse que a AneInfra buscará hoje o apoio dos ministros das Cidades, Minas e Energia, Transportes e Integração Nacional para reforçar o pleito. A entidade reivindica 32% de aumento.
— Quem teve aumento? Quem fez greve, quem apostou no enfrentamento, em se desgastar o governo — afirmou.
Além dele, estiveram no Planejamento ontem servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), do Sindicato Nacional dos Trabalhadores na Proteção ao Voo, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS), do Ministério de Ciência e Tecnologia e do Itamaraty (oficiais de chancelaria).
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Desde as primeiras ameaças que o governo federal fez neste sentido, venho dizendo que isto não vai colar. O governo pode ser duro na queda de braço para elevar sua proposta de aumento para os servidores públicos(?), mas não chegará ao ponto de deixar de pagar pelos dias parados.
Claro que o prejuízo que a cambada, a serviço apenas de si mesmos, provocou a todo o país, não será descontado, e ainda vamos ser obrigados a “contribuir” para as férias da moçada.
Mais adiante, vocês lerão que o governo Dilma prepara para enviar ao Congresso projeto de lei visando regulamentar o direito de greve. Isto já deveria ter sido feito há muitos anos. Mas querem saber, duvido que o Congresso aprove alguma lei neste sentido. São covardes demais, olham para os tais servidores públicos (?) não como uma corrente da sociedade, e sim como curral eleitoral a quem, entendem, precisam agradar para conquistar votos.
O resto do país que se dane. Uma nota do Lauro Jardim, em sua coluna Radar, dá bem a dimensão do movimento destes pelegos.
Para entrar na academia do FBI, um candidato a agente especial enfrenta 21 semanas de duros testes físicos e de conhecimentos, que vão do sistema legal à noções de química e biologia. Se aprovado, sai ganhando por ano 51 000 dólares.
Agora, se este agente for bom mesmo, faz concurso para perito da PF brasileira. Ao passar no concurso sai ganhando um total de 177 794 reais ao ano — ou 88 900 dólares.
Mas os peritos da PF acham esse salário tão mixuruca que estão em greve. Querem ganhar 71% de aumento. Pobres americanos…
Para encerrar: desde que os movimentos se iniciaram, demonstramos em inúmeros textos que a imensa maioria reclama do que não deve. Pedem aumentos exorbitantes, esquecendo em que país estão vivendo. Se o governo concordasse em ceder à gritaria, estaria alimentando a verdeira elite exploratória e dando-lhes mais munições para continuarem assaltando os cofres públicos, incentivando a nossa já vergonhosa má distribuição de renda. Como já disse, estão insatisfeitos? Simples, peçam demissão e provem que, fora do serviço público, são capazes de ganharem ao menos metade do que ganham atualmente e de forma honesta. Há limites para tudo, até para a indecência!
