segunda-feira, agosto 06, 2012

Cesar Cielo é herói nacional em um país que despreza o esporte


Diogo Olivier
Zero Hora



 Somos um país sem noção na hora de analisar Olimpíada.

Cesar Cielo leva o bronze nos 50m e ouço muxoxos. Fracasso.

Foi este o tom quando ele saiu da piscina.

O Brasil não oferece nenhuma estrutura esportiva na formação de atletas, temos um nadador de 25 anos com quatro medalhas no peito medindo braçadas contra monstros americanos e australianos – e ainda reclamamos.

O problema não está neles, os atletas. Estes são heróis nacionais. Muitos chegam ao nível de competição na base do “paitrocínio”, como o judoca gaúcho João Derly, cuja pai vendeu o Fusca da família para o filho viajar e competir. Só quando os resultados aparecem é que surgem as benesses do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) através da Lei Agnelo Piva.

É rigorosamente o inverso do que fazem não apenas as potências olímpicas, mas nações que conseguem ao menos competir com planejamento.

A prática de várias modalidades começa na escola, e a partir daí os técnicos vão descobrindo e lapidando aptidões para correr, jogar, nadar, lutar, saltar.

É a tese da pirâmide: da quantidade (base) sai a qualidade (cume).

Em Cuba, mau desempenho em educação física pode reprovar.

Na China, há mais de 4 mil escolas públicas de esporte.

A Austrália exibe oito conjuntos esportivos de excelência (piscinas, ginásios, pistas de atletismo e moradia para atletas) que aliam infraestrutura e tecnologia de ponta.

Na Jamaica, os estádios lotam em competições escolares de atletismo, sobretudo nas de velocidade. Usain Bolt não deixa de prestigiar sempre que possível, como torcedor.

Há exemplos de toda sorte para o Brasil.

Poderíamos seguir um só.