segunda-feira, agosto 06, 2012

Copa 2014: aeroportos receberam apenas 19,5% dos investimentos previstos pela Infraero


Dyelle Menezes
Do Contas Abertas


O Brasil está a dois anos da Copa do Mundo de Futebol, um dos maiores eventos do esporte mundial juntamente com as Olimpíadas. Contudo, os aeroportos do país ainda são considerados um dos grandes gargalos para 2014. Do total de R$ 1,2 bilhão previsto pela Infraero para reforma, adequação e construção dos aeroportos das 12 cidades-sede, apenas R$ 234 milhões, correspondentes a 19,5%, foram aplicados no primeiro semestre do ano. Os dados são do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão,

A obra que deve receber o maior montante de recursos é a adequação do Aeroporto Internacional de Guarulhos: R$ 270,5 milhões, dos quais R$ 86,4 milhões foram aplicados. Outra importante ação, a de adequação do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro Antonio Carlos Jobim, o Galeão, deve aplicar R$ 200,4 milhões até o final do ano, mas investiu apenas 9,7% no primeiro semestre de 2012, o equivalente a R$ 19,5 milhões.

A execução de investimento da Infraero nos aeroportos específicos para a Copa 2014 acompanha o ritmo total da estatal. Ao todo a companhia possui R$ 2 bilhões para aplicar este ano. Porém, apenas 18,4%, R$ 369,9 milhões foram desembolsados. Segundo a assessoria de imprensa, a Infraero deve investir o total de recursos previsto até o final do ano, repetindo o que aconteceu em 2011, quando a estatal aplicou R$ 1,1 bilhão (75,6% do previsto).

A assessoria afirmou ainda que trabalha no sentido de incluir a movimentação de turistas que vai surgir na Copa e na Olimpíada, além da demanda futura já esperada, visto que o setor aéreo é dos que mais cresce no país. Dessa forma, a Infraero destacou que não há nenhuma área prejudicada pelo baixo ritmo de investimentos em 2012.

“Muitas obras estão em processo de contratação. Além disso, as ações da Infraero envolvem obras de manutenção, compra de equipamentos e instalação de sistemas informativos de voos. Vale ressaltar que foram consolidados módulos operacionais em cinco aeroportos (Campinas, Guarulhos, Vitória, Goiânia e Cuiabá) e restauração de pista em Guarulhos, Fortaleza, São Luiz, Uberlândia e Santarém, além de investimentos no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, em função da Rio+20”.

Apesar de ter aumentado investimentos nos últimos 11 anos, a empresa gastou bem menos que o previsto no orçamento. Entre 2000 e 2011, os investimentos somaram R$ 5,6 bilhões, apenas 51% dos R$ 10,9 bilhões previstos para o período. Em 2000, os investimentos não chegaram a 85% do total, em 2005, não ultrapassaram os 70%, em 2010, pouco mais de 59,4%. 

Especialista em transporte aéreo da Coppe/UFRJ, o professor Elton Fernandes, em entrevista ao Jornal Nacional apontou uma razão para o dinheiro ficar em caixa enquanto os brasileiros penam pelos aeroportos. “Nestes anos todos, o principal investidor e a responsabilidade é do estado. O estado foi ineficiente, não planejou, não foi bom gerente”.

A Infraero administra hoje 66 aeroportos e o número de passageiros não para de crescer. Só no mês de junho desse ano houve aumento de 11%, em comparação com junho do ano passado. Entretanto, nos últimos cinco anos, as empresas aéreas anunciam prejuízos.

“Percebe-se uma oferta muito além da demanda gerando uma baixa ocupação. As maiores empresas brasileiras adotaram uma estratégia de frota padronizada e hoje têm baixa flexibilidade, quando cai a demanda de trocar o equipamento. Continua voando com equipamento de grande tamanho quando a linha já não tem uma demanda para aquele tamanho de aeronave”, completou o professor.