quarta-feira, outubro 31, 2012

Edital do trem-bala vai atrasar, diz presidente da EPL


Veja online
Com Agência Reuters

Segundo Bernardo Figueiredo, a demora será provocada pelo recebimento de mais de 150 contribuições de investidores para a proposta do projeto

(Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr) 
Bernardo Figueiredo, presidente da EPL, falou sobre trem-bala e rodovias 

O edital da primeira fase do Trem de Alta Velocidade (TAV) – que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro – deve atrasar pelo menos 15 dias, disse nesta terça-feira o presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo. A demora deve-se ao fato de a EPL ter recebido mais de 150 contribuições de investidores para a proposta do projeto. "Existe uma tendência de acatar algumas sugestões, o que implica em refazer parte do edital", disse a jornalistas.

A previsão era que o edital saísse nesta quarta-feira, segundo Figueiredo. "Vamos ter que atrasar pelo menos 15 dias para a publicação do edital para dar tempo de fazer todos as reformas que têm que ser feitas e passar pelo processo de validação disso no governo, no TCU (Tribunal de Contas da União) e em outras instâncias."

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou em agosto que a primeira etapa do leilão de concessão TAV ocorrerá em 29 de maio de 2013. Segundo Figueiredo, as sugestões recebidas de investidores vão desde o prazo para apresentação das propostas até a qualificação de empresas.

Ele explicou que serão necessárias mudanças como, por exemplo, o tempo mínimo de operação das companhias interessadas. Esse é o o caso de um grupo coreano liderado pela Hyundai, que opera um trem de alta velocidade "com padrões de excelência" e que estava excluído do edital pelas regras consideradas. "Isso (prazo de operação por concorrentes) vai ser revisto. Queremos um ambiente competitivo. Não teria sentido excluir um grupo da importância desse", disse.

Estradas — 
Também nesta terça-feira, Figueiredo afirmou que o governo federal pretende publicar ainda neste ano os editais de concessões de duas rodovias.

Figueiredo afirmou que os editais de concessão do trecho mineiro da BR-116 e da ligação Brasília-Juiz de Fora (MG) pela BR-040 devem ser publicados entre novembro e dezembro. "Esses editais devem ser publicados agora em novembro, dezembro, de forma que a licitação possa acontecer logo no começo do ano que vem", disse.

O governo anunciou em meados de agosto o plano de privatização de rodovias e ferrovias que prevê investimentos totais de 133 bilhões de reais em 25 anos. Outros lotes de estradas previstos no programa devem sair em março do ano que vem, com licitações ocorrendo em abril, acrescentou Figueiredo.

Ele afirmou ainda que dos 133 bilhões de reais, quase 80 bilhões de reais estão previstos para serem realizados nos primeiros cinco anos do programa.


****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
É impressionante a ruindade deste governo quanto a tocar projetos sob sua responsabilidade. Entra ano, sai ano, e tudo permanece emperrado, com adiamentos a perder de vista. Como pode tal governo pretender atrair investidores se não consegue sequer cumprir prazos e definir regras? Querem um exemplo bem sintomático desta compulsão à incompetência? 

O mesmo Bernardo Figueiredo, no inicio deste mês de outubro do ano da graça de 2012, anunciou que o tal programa de concessões   seria lançado ao mundo. Como hoje o mês está terminando e nada do tal programa de investimentos sair da gaveta, o presidente da tal EPL sequer vem a público para justificar a promessa não cumprida. E com um acréscimo: quando fez a promessa, ainda jurou por todos os santos que o tal programa não sofria atraso algum, que tudo corria de acordo com o cronograma, etc. e tal.  

A verdade é que o governo não conseguiu definir regras que, de fato,  atraem os investimentos privados desejados para garantir o sucesso almejado. Enquanto este governo continuar entupido de ranço ideológico cuja aversão ao capital privado é até histórico, haverá pouca possibilidade de seus projetos darem certo. E, como o capital privado não está aí para fazer bonito tampouco para ser doado em caridade para governos incompetentes e que não conseguem criar ambiente favorável de negócios, é natural que procure outras praças onde seja tratado pelo menos com o respeito que merece.