quarta-feira, outubro 31, 2012

O que o Nordeste precisa para deslanchar, segundo a CNI


Marco Prates
Exame.com

Com estradas e ferrovias saturadas, região precisará gastar R$ 25,8 bilhões até 2020 para conseguir escoar sua produção, defende levantamento da CNI. Veja quais são as prioridades

Manoel Marques/Veja
Ferrovia Norte-Sul: 
uma das obras consideradas prioritárias em levantamento da CNI para a 
infraestrutura da região Nordeste, que já tem hoje vários portos e rodovias saturadas

São Paulo – O Nordeste precisa de 25,8 bilhões de reais nos próximos oito anos para que seus nove estados consigam dar conta da produção que a região exporta e importa. O número aparece em levantamento da Confederação Nacional da indústria (CNI) divulgado hoje. O estudo Nordeste Competitivo, feito em conjunto com as federações regionais, mapeou os gargalos que podem ameaçar a infraestrutura da região até 2020.

Confira as principais conclusões da pesquisa:

- Segundo a CNI, são estas os maiores gargalos do Nordeste hoje:

Modal
Origem
Destino
Via Principal
Capacidade (mil tons/dia)
Uso (mil tons/dia)
% Uso/ cap
Rodovia
Maceió
Xexéu
BR101
51,3
84,8
165,30%
Rodovia
Xexéu
Recife
BR101
51,3
68
132,60%
Rodovia
Própria
Maceió
BR101
51,3
61,3
119,50%
Rodovia
Vitória da Conquista
Feira de Santana
BR116
51,3
49
95,60%
Rodovia
Divisa Alegre
Vitória da Conquista
BR116
51,3
48,8
95,10%
Rodovia
Feira de Santana
Tucano
BR116
51,3
46,9
91,60%
Ferrovia
São Luís
Açailândia
EFC
311,4
282,7
90,80%
Ferrovia
Açailândia
Marabá
EFC
311,4
278,9
89,60%
Rodovia
Salvador
Feira de Santana
BR324
102,5
83,8
81,70%
Rodovia
Tucano
Canudos
BR116
51,3
37,4
72,90%


- E em 2020 serão estes:

Modal
Origem
Destino
Via Principal
Capacidade (mil tons/dia)
Uso (mil tons/dia)
% Uso/capacidade
Ferrovia
Minas Gerais
Salvador
FCA
4,7
71,7
1522,70%
Ferrovia
Açailândia
Marabá
EFC
311,4
877
281,70%
Ferrovia
São Luís
Açailândia
EFC
311,4
874,1
280,70%
Rodovia
Vitória da
Feira de Santana
BR116
51,3
128,8
251,10%
Rodovia
Maceió
Xexéu
BR101
51,3
105
204,70%
Rodovia
Xexéu
Recife
BR101
51,3
98,2
191,60%
Ferrovia
Itabaiana
Arrojado
TNL
1,9
3
161,90%
Rodovia
Própria
Maceió
BR101
51,3
78,5
153,20%
Rodovia
Divisa Alegre
Vitória da Conquista
BR116
51,3
74,5
145,20%
Rodovia
Salvador
Feira de Santana
BR324
102,5
136,5
133,10%

- A Confederação levantou 196 projetos existentes hoje em posse do governo federal ou dos governos estaduais que custariam, juntos, 71 bilhões para saírem do papel. Mas, a curto prazo, até 2020, selecionou 83 que considera mais relevantes em todos os modais (ferroviário, aéreo, rodoviário, hidroviário e portuário).

- Todos estão dentro de 9 eixos que, segundo a CNI, englobam todas as principais regiões produtoras do Nordeste e alcançam os principais portos. São eles:

Melhorias em Eixos já Existentes:
Desenvolvimento de Novos Eixos:
BR-116 Sudeste - Fortaleza
BR-020 Barreiras - Fortaleza
BR-110 Mossoró - Salvador
Ferrovia Nova Transnordestina Balsas - Salgueiro - Pecém
Ferrovia Transnordestina Juazeiro do Norte - Suape (bitola métrica)
Ferrovia Norte-Sul Balsas - Vila do Conde
Cabotagem
FIOL Barreiras - Ilhéus

Hidrovia São Francisco + Ferro Nova Transnordestina Barreiras - Petrolina - algueiro - Suape


- Dos 25 bilhões, ferrovias e portos concentrariam 90% do montante (R$ 12 bilhões e R$ 11 bilhões, respectivamente).

- Portos: atualmente, apenas o Complexo Portuário de São Luís e o Porto de Recife utilizam mais do que suas capacidades permitem. Em 2020, no entanto, seis vão estar nesta situação. Os casos mais críticos devem ser do Complexo Portuário de São Luís e do Porto de Natal.

- Ferrovias: dois trechos da EFC – um que liga São Luís a Açailândia e outro que liga Açailândia a Marabá operam próximo do limite. Mas a previsão é que cheguem a um estado crítico em 2020.

- Rodovias: das que cruzam a região, três já apresentam gargalos atualmente e ultrapassam em até 65% a capacidade de peso que a via aguenta em determinado período, o que reduz a velocidade dos veículos e gera congestionamentos. A simulação feita do crescimento da produção até 2020 mostra que, caso não hajam investimentos, nove rodovias estarão sendo utilizadas acima de suas capacidades.

- Os investimentos teriam retorno em pouco mais de quatro anos com a economia de gastos logísticos. Atualmente, a região gasta em torno de R$ 30,2 bilhões – 6% do PIB da região - com transportes, incluindo gastos com frete interno, pedágios, transbordo e de terminais, tarifas portuárias e frete marítimo.

- Com as obras, considerando os volumes de produção estimados para 2020, a economia do custo logístico chegaria a 5,39 bilhões por ano.