Bruno Rosa e Sérgio Matsuura
O Globo
Ministério das Comunicações ainda está preparando sua contribuição para Lei das Antenas
RIO — Não bastasse a demora no início da construção da rede 4G, o Ministério da Ciência e Tecnologia leva até quatro meses para certificar um projeto com tecnologia nacional. Pelas regras definidas pelo governo, a compra de equipamentos pelas teles, até 2014, devem conter 10% de solução criada aqui.
Até agora, apenas o hardware é considerado tecnologia nacional, gerando críticas entre os fabricantes. Por isso, pediram a inclusão do software. Mas como está em consulta pública, o assunto só será definido em abril do ano que vem.
— Algumas empresas reclamam que a norma de tecnologia nacional pode ser uma barreira à entrada delas no Brasil. Nós não vemos dessa maneira. Nós visamos a reconstrução da cadeia produtiva de telecom no país — diz Rafael Henrique Rodrigues Moreira, coordenador geral de Software e Serviços de TI do Ministério.
A Ericsson já teve um pedido de tecnologia nacional barrado pelo governo, ao desenvolver um projeto que foi concebido no exterior. Fernando Carvalho, diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios da Nokia Siemens Networks, lembra que não faz sentido criar um novo padrão global:
— Só haverá um equipamento com o DNA brasileiro no fim de 2013, início de 2014. Queremos alavancar o padrão global, desenvolvendo alguma aplicação. Trabalhamos em três caminhos, como parcerias com faculdades, com o Instituto Nokia de Tecnologia e até desenvolver pesquisa própria.
O consultor do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), Arismar Cerqueira Sodré Junior, diz que ainda não tem sentido uma procura por parte dos fabricantes em selar parcerias para desenvolver uma tecnologia nacional:
— As empresas estão correndo para se estruturar. Estamos desenvolvendo tecnologias para aumentar a convergência entre os sistemas e desenvolvendo meios para aumentar o valor de propagação do sinal.
O Ministério das Comunicações lembra também que nas próximas semanas o governo deve apresentar ao Senado suas contribuições para federalizar a legislação das antenas, hoje de competência dos municípios. Enquanto isso, as teles ainda testam suas redes. A Oi instalou no Leblon cinco radiobases de 4G. A Claro já iniciou testes em cidades do Rio, como Paraty e Búzios, e em Campos do Jordão (SP). A Vivo está em conversas com seus fornecedores e vai apresentar no Futurecom, que começa amanhã no Rio, uma nova proposta de antena. A TIM diz estar dentro do prazo.