terça-feira, outubro 09, 2012

Anticoncepcional gratuito pode reduzir número de abortos em até 80%


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Em estudo americano, mulheres puderam optar pelo método contraceptivo que quisessem, como DIU, implantes, pílulas e adesivos

(Thinkstock) 
Cartela de pílula anticoncepcional: 
Método foi um dos oferecidos pelo estudo às participantes 

Oferecer métodos contraceptivos de forma gratuita a mulheres com maior risco de ter uma gravidez indesejada diminui as taxas de aborto de forma significativa, concluiu uma nova pesquisa feita nos Estados Unidos. Entre as participantes desse estudo, que passaram a fazer uso de algum anticoncepcional escolhido por cada uma, a taxa de aborto em um período de dois anos foi quase 80% menor em relação à média nacional. Esses resultados foram publicados nesta semana no periódico Obstetrics & Gynecology.

Segundo os autores do estudo, quase metade das gestações nos Estados Unidos não é planejada — 50% delas ocorrem pelo não uso de algum contraceptivo e os outros 50%, pelo uso errado ou irregular do método. "Gravidez indesejada continua a ser um grave problema de saúde no país, tendo maiores proporções entre as adolescentes e mulheres com menores níveis econômico e de escolaridade", diz Jeff Peipert, coordenador da pesquisa.

O estudo, desenvolvido na Faculdade de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis, selecionou 9.256 mulheres de 14 a 45 anos que apresentavam maior risco de ter uma gravidez indesejada — ou seja, não faziam uso de nenhum anticoncepcional, tinham vida sexual ativa e não queriam engravidar.
As participantes receberam informações sobre como funciona cada tipo de anticoncepcional e puderam optar pelo método contraceptivo de sua preferência. A maioria optou pelos métodos de longa duração, como o dispositivo intra-uterino (DIU) ou os implantes, mas elas também tinham a escolha de fazer o uso de outros métodos, como pílulas, adesivos ou anéis vaginais. 

Redução — 
Em um período de dois anos, a taxa de aborto entre as participantes oscilou entre 4,4 e 7,5 casos por 1.000 mulheres — uma taxa de 62% a 78% menor em comparação com o número de aborto registrado nos Estados Unidos no mesmo período, que foi de 19,6 procedimentos para cada 1.000 mulheres.

Quando os autores olharam apenas para a taxa de aborto entre as meninas de 15 a 19 anos de idade, eles descobriram que a redução do procedimento foi ainda maior. Entre as participantes do estudo dessa faixa-etária, a incidência de aborto foi de 6,3 para cada 1.000 adolescentes — 82% menor do que a média nacional para esse grupo.

"Os resultados desse estudo demonstram que é possível reduzir a taxa de gravidez indesejada e, consequentemente, de abortos no país. Acreditamos que a melhoria do acesso ao controle de natalidade, particularmente ao DIU e a implantes, e a educação sobre os métodos mais eficazes, têm potencial para que esse objetivo seja alcançado”, diz Peipert.

CONHEÇA A PESQUISA:

Título original: Preventing Unintended Pregnancies by Providing No-Cost Contraception

Onde foi divulgada: periódico Obstetrics & Gynecology

Quem fez: Jeffrey Peipert, Tessa Madden, Jenifer Allsworth e Gina Secura

Instituição: Universidade de Washington em St. Louis, Estados Unidos

Dados de amostragem: 9.526 mulheres de 14 a 45 anos

Resultado: Oferecer métodos contraceptivos gratuitamente a mulheres que não desejam engravidar reduz as taxas de aborto em até 80% em um período de dois anos. A maior diminuição de abortos ocorre entre adolescentes de 15 a 19 anos



Conheça os métodos contraceptivos disponíveis atualmente


Camisinha


A mitologia grega já mencionava o uso de bexiga de cabra nas relações sexuais. Na Ásia do século X, a camisinha era uma improvisação de papel de seda lubrificado com óleos, usado para evitar doenças. Também há registros desse contraceptivo feito de tripa de carneiro, pele de animal, veludo e panos. Em 1870, o preservativo de borracha apareceu na Europa, mas era reutilizável. A camisinha descartável feita de látex apareceu em 1930. Além de prevenir uma gravidez indesejada, ela protege contra doenças sexualmente transmissíveis.

Pílula contraceptiva hormonal


Sua comercialização foi permitida pela primeira vez em maio de 1960, nos Estados Unidos – o método chegou ao Brasil em meados da década. Essa pílula continha 150 microgramas de um estrógeno chamado mestranol, quantidade considerada altíssima quando comparada com as atuais. Com o tempo, depois de algumas mulheres terem problemas como trombose, os cientistas diminuíram as doses de hormônios. Os comprimidos passaram a ter 30 microgramas, depois 20 e, na metade dos anos 90, 15 microgramas. Hoje, as doses variam entre 20 e 30 microgramas.  A eficácia depende da disciplina das usuárias: se ingerida todos os dias no mesmo horário, é de 99,8%.

Laqueadura (ou Ligadura de tubas uterinas)


Surgiu antes dos anos 1960, mas foi amplamente usada entre as décadas de 70 e 90. É a esterilização feminina, caracterizada pelo corte das tubas uterinas, que ligam o ovário ao útero.

Pílula do dia seguinte


Vem sendo usada nos últimos dez anos. A dose única contém uma quantidade mais alta de hormônio do que uma pílula normal: 150 microgramas de levornogestrel, um tipo sintético de progesterona, e pode ser tomada até três dias depois de uma relação desprotegida – embora sua ação diminua com o passar do tempo (ingeri-la 72 horas depois da relação sexual, por exemplo, pode alcançar uma ineficácia de 7 a 10%). A pílula do dia seguinte não é considerada um abortivo. Ela impede a fecundação do óvulo ao tornar difícil a movimentação dos espermatozoides. Se a fecundação já tiver acontecido, não surte efeito.

Tabelinha


A tabelinha consiste em evitar o sexo desprotegido durante o período fértil – ou seja, entre o décimo e o décimo oitavo dia depois da menstruação. O índice de falha é muito alto, entre 5% e 10%. O método é considerado falho porque nem sempre a ovulação é regular e acontece nos mesmos dias.

DIU (Dispositivo Intrauterino)


É inserido no útero por um médico e impede a subida dos espermatozoides pelas trompas. O Diu de cobre está no mercado desde os anos 1970. Esse método não libera hormônios. A contracepção acontece uma vez que o cobre tem ação espermicida. Uma vez inserido, dura de sete a dez anos. Pode apresentar entre 1,5% e 2% de ineficácia.

SIU (Sistema Intrauterino)


O Siu é uma espécie de Diu com hormônios. Assim como o Diu, deve ser inserido por um médico, mas, diferente dele, sua ação espermicida não acontece por causa do cobre, mas de hormônios. É considerado tão eficaz quanto uma laqueadura e provoca menos cólica e sangramentos do que o Diu, além de ser mais barato. Há uma década e meia no mercado, sua vida útil é de 5 anos.

Adesivo Contraceptivo


Deve ser aplicado sobre a pele e permanece colado por 21 dias seguidos. Depois desse período, tira-se o adesivo e a mulher precisa esperar uma semana até colocar um novo. Nesses sete dias, acontece a menstruação. O adesivo libera hormônios e tem a mesma eficácia da pílula. Evita gravidez, mas não protege de doenças sexualmente transmissíveis.

Anel Vaginal


Contém os mesmos hormônios presentes na maioria das pílulas orais. É inserido dentro da vagina e deve permanecer nela por 21 dias seguidos. Passado esse período, a mulher deve ficar uma semana sem usar o anel até colocar um novo. Evita gravidez, mas não protege de doenças sexualmente transmissíveis.

Coito Interrompido


Método usado quando, na relação sexual, o pênis é retirado da vagina antes da ejaculação, evitando a entrada do sêmen. Pode ser ineficaz, porque uma pequena quantidade de esperma que entrar em contato com a vagina já é capaz de provocar uma gravidez indesejada. Não evita doenças sexualmente transmissíveis.

Implante


Utilizado desde meados dos anos 1990, é um implante subcutâneo inserido no braço da mulher. Seu efeito dura até três anos.