domingo, outubro 07, 2012

Fatos que mudam as urnas. Urnas que mudam o país.


Adelson Elias Vasconcellos


É quase lugar comum dizermos que Deus é brasileiro. Se for ou não, não dá para perguntar-lhe. Porém, a mão do divino tem estado presente na vida e destinos deste país, pelo menos em momentos importantes.

Voltemos no tempo em que o brasileiro parecia sem rumo, com inflação galopante, sem crédito internacional, desacreditado, com uma democracia claudicante,   e instituições em busco de rumo e identidade democrática.

Aí veio o impeachment de Collor, que colocou no poder Itamar Franco que, por sua vez, trouxe Fernando Henrique. Daí prá frente o Brasil descobriu-se de novo.

Suponham, por um momento, que sucedendo Itamar tivesse sido o PT e seu discurso histórico de anarquia, de por fogo na casa. 

Não, esta não seria a melhor das soluções, e o país teria mergulhado num caos. Quis o  destino nosso brasileiro que a ordem fosse outra, e tivemos um FHC que colocou ordem no caos, trouxe-nos a estabilidade, equilíbrio nas contas públicas, fim da inflação galopante, programas sociais com distribuição de renda, aumentos reais de salários e uma enorme gama de controles institucionais e medidas reguladoras das quais o país pode desfrutar, deste momento em diante, de calmaria diante das turbulências internacionais. 

Competia a Lula e seu partido darem sequencia a estas conquistas e, de fato, elas tiveram continuidade, para nossa sorte, e nem Lula nem seu partido tiveram competência e coragem para mudar aquilo que representava a carta de alforria de um país cambaleante, crítico por natureza, confuso por opção.

Porém, tanto Lula quanto a companheirada - militantes partidários e sindicalistas-, ao invés de dar sequencia às reformas, optaram por assaltar o poder, transformado o Estado em mero esbirro do partido, tentaram sequestrar a independência do Legislativo, subordinar o Judiciário e calar a imprensa. Se fosse começar a relacionar toda a imundície que o governo petista tentou plantar no país, e este artigo transformar-se-ia num compêndio imenso. Para eleger Dilma, Lula não poupou munição, comprometeu o equilíbrio fiscal, engessou a capacidade de investimento do Estado, expandiu a máquina pública em níveis incompatíveis com a capacidade da sociedade em sustentá-la. Naquilo que competia como chefe de governo fazer, simples ignorou. Os serviços públicos nunca foram tão críticos quanto ao tempo de Lula.

Por isso, quis a mão divina, ou os desígnios divinos como queiram, recuperar o Brasil para si mesmo.Às vésperas das eleições em que o PT tentaria consagrar sua hegemonia de norte a sul, colocando sob cabresto todas as forças políticas, havia um julgamento dos acusados de terem provocado o maior escândalo político da história. A semana começou de forma estupenda: o STF, por sua imensa maioria, disse com todas as letras que o partido no poder, quis comprar as consciências dos parlamentares, e mostrou a farsa que se escondia por detrás daquele que, podendo ser um estadista, transformou-se num político egocêntrico, a ponto de querer igualar-se, em poder, a Deus. Assim, nesta mesma semana, também foi decretado que o chefe da quadrilha era justamente aquele que era  preparado para substituir o deus de barro no comando do país. E chegamos à eleição em que o deus com pés na lama da corrupção, precisou descer de sua arrogância, de sua prepotência para transformar-se naquilo que nunca deixou de ser: um homem comum.

Lula, durante oito anos, tentou desqualificar o governante que lhe transmitia um país saneado, com políticas públicas de qualidade, voltadas à melhoria na qualidade de vida das pessoas, que deixou as raízes que emergiram para reduzir desigualdades, minorar a pobreza e miséria de praticamente metade da população brasileira. Foram oito anos de um discurso mentiroso, infame, calunioso e sórdido. Quis vestir como sua, a roupagem do verdadeiro estadista que ele sucedeu e nunca conseguiu tornar-se.

Pouco a pouco, contudo, a memória e os méritos dos anos FHC foram sendo recuperados e a ele, apesar das resistências ainda existentes, lhe foi devolvido o respeito e o reconhecimento.

Impossível, diante do ambiente político atual, não reconhecer que   o PT sai ferido, partido e menor desta eleição. Dilma até pode vencer em 2014, ou Lula até pode voltar. Aliás, sua estratégia nas eleições municipais era preparar o caminho para “voltar” nos braços do povo. Talvez até aconteça, mas seu governo ganhou um selo do qual Lula não conseguirá se livrar: a do governo corrupto, com dirigentes corruptos,  a do governo que institucionalizou a corrupção ao seu máximo ponto. 

O tal legado de que ainda se fala, não passa de pura mistificação. O governo Lula foi a versão 2.0 de FHC em seu melhores momentos e foi, também, a degradação extremada dos costumes políticos em nosso meio. Destes quase dez anos de poder, esta semana terá sido o ponto mais alto que os petistas puderam subir. De agora em diante precisará descer, mesmo a contragosto, degrau por degrau da escada que ousou subir à custa da política do quanto pior melhor,  da desqualificação de quantos não compartilhavam com suas opiniões e ideologias, da sórdida campanha de calúnia que cultivou sobre um governante que lhe entregou um país muito melhor daquele que recebera, afora as tentativas espúrias de silenciar os discordantes e críticos em maquinações subterrâneas. 

Impossível não vislumbrar que o Brasil sairá muito melhor tanto do resultado destas eleições, quanto da sentença final do STF. Em sentido contrário, este Brasil melhor virá pelo malogro do projeto de poder dos petistas. O recado que os fatos estão a mostrar, é que o país não aceita retrocessos, não aceita intimidações à sua opção democrática. Enfim, o Brasil cansou dos falsos profetas e salvadores da pátria, dos falsos ordeiros da desinstitucionalização. O Brasil quer seguir em frente e, para isso, precisará deixar para trás o partido no poder.  Graças a Deus há salvação, porque o povo não aceita o açoite da servidão, o discurso .da mistificação, tampouco  aceita curvar-se à vontade de um dono.