domingo, outubro 07, 2012

Novos apagões: Furnas investiu apenas 37,6% dos recursos disponíveis para 2012


Dyelle Menezes
Do Contas Abertas


Um novo “apagão”, o segundo em menos de 12 dias, deixou sem luz quatro regiões do país por cerca de meia hora. A pane aconteceu em um transformador de Furnas, em Foz do Iguaçu, no Paraná. Os problemas podem estar relacionados com o baixo ritmo de investimento da empresa, que pertence ao Grupo Eletrobras.

Entre janeiro e agosto de 2012, a estatal investiu apenas R$ 570,5 milhões, o equivalente a 37,6% do R$ 1,5 bilhão autorizado para o ano. Caso a execução dos investimentos fosse linear durante o ano, cerca de R$ 1 bilhão já deveria ter saído dos cofres de Furnas. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

A duas principais iniciativas da empresa acompanham o ritmo geral de aplicação. Na ação de “reforços e melhorias no sistema de transmissão de energia elétrica”, que atinge todas as regiões do país, foram aplicados somente R$ 127,4 milhões (28,7%) dos R$ 444,6 milhões autorizados.

A outra rubrica, de “melhoria do sistema de transmissão de energia elétrica especificamente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste”, justamente as áreas atingidas pelo último apagão, está em situação ainda pior. Apenas R$ 76,2 milhões, o que equivale a 17,6% dos R$ 432,5 milhões disponíveis, foram aplicados até o momento.

Reunidas as ações de “ampliação do sistema de geração de energia elétrica”, “implantação de parque eólico de geração de energia elétrica”, “implantação de usina termelétrica a biomassa” e “ampliação da capacidade de geração de usinas em operação”, todas a nível nacional, são R$ 400 mil que não saíram dos cofres da estatal.

Ainda no escopo nacional, para as ações de manutenção do sistema de geração de energia elétrica e de manutenção e adequação de bens móveis, veículos, máquinas e equipamentos foram desembolsados apenas 10,7% e 24,8%, respectivamente, dos R$ 42,1 milhões e R$ 29,6 milhões previstos para 2012.

No que diz respeito aos apagões, Furnas esclareceu, em nota, que as causas da ocorrência continuam sendo apuradas, com análise dos relatórios de proteção e testes nos demais equipamentos. Além disso, ressaltou que as atividades de manutenção programadas estão em dia.

A empresa explicou que houve o desligamento de um transformador da subestação de Foz do Iguaçu, por atuação automática do seu sistema de proteção, em função de curto-circuito ocorrido em um equipamento de baixa tensão. Teria então ocorrido o desligamento automático, em sequência, de outros três transformadores dessa subestação por seus dispositivos de proteção, interrompendo o despacho de cerca de 5.000 MW da Usina de Itaipu (60 hz) ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

“Prontamente após o ocorrido, equipes de Furnas trabalharam em conjunto com o Operador Nacional do Sistema (ONS) para minimizar os impactos no SIN e recompor o sistema. Às 21h12, os equipamentos foram liberados por Furnas para operação”, explicou a assessoria.

A subestação Foz de Iguaçu é responsável por conectar e prover a transmissão da energia gerada pela Usina de Itaipu ao SIN.

Apesar do defeito, o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, afirmou que os equipamentos das subestações estão em perfeitas condições e que as manutenções estão em dia. "Nosso sistema tem mais de 100 mil km de linhas de transmissão. Defeitos em equipamentos podem ocorrer, mas são raros. Em muitos casos, é feita manutenção preventiva, mas às vezes acontece", disse o diretor-geral, em entrevista ao Bom Dia Brasil, da Rede Globo.

Em entrevista ao jornal o Globo, Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ, afirmou que sua preocupação é em “não piorar a situação”, já que parte das empresas fala em corte de pessoal para compensar as menores tarifas. “O sistema interligado é uma vantagem do Brasil, mas tem gargalos e problemas técnicos. É preciso comprar melhores equipamentos e fortalecer o quadro de pessoal. Falta prevenção”,  concluiu.

O Contas Abertas questionou Furnas sobre o motivo do baixo investimento e a possível relação com os últimos incidentes mas, até o fechamento da matéria, a reportagem não obteve resposta.

Brasília sofreu novo apagão
Na tarde de ontem (4), novo apagão deixou 70% do Distrito Federal sem energia elétrica, segundo a Companhia Energética de Brasília (CEB). O corte no fornecimento atingiu vários prédios da Esplanada dos Ministérios e paralisou o Metrô de Brasília. O julgamento da Ação Penal 470, o Mensalão, só foi possível com o uso de três geradores do Supremo Tribunal Federal.

Em nota, Furnas Centrais Elétricas informou “que houve, inicialmente, o desligamento da linha de transmissão de Samambaia-Brasília Norte, de propriedade da CEB, e, posteriormente, ocorreu o desligamento de outras duas linhas, ambas também de propriedade da CEB, entre as subestações de Brasília Sul, de Furnas, e Brasília Norte, da distribuidora”.

A empresa informou ainda que técnicos trabalhavam com equipes da CEB para restabelecer o fornecimento de energia. Furnas disse também que apurava as causas da interrupção no fornecimento de energia em Brasília.

Eletrobras tem pior execução dos últimos 12 anos
O Grupo Eletrobras está estagnado em termos de investimentos. As aplicações da estatal atingiram, no primeiro semestre, a cifra de R$ 3 bilhões, valor que corresponde a somente 29,6% do orçamento disponível para o ano (R$ 10,3 bilhões). Trata-se da segunda pior execução orçamentária em termos percentuais desde o ano 2000. A execução anual nesse período do ano nunca ultrapassou os 80%. Em 2012, contudo, segundo a assessoria da companhia, há a previsão de que, até dezembro, sejam utilizados entre 80% e 90% dos recursos previstos.

“O resultado não será de 100%, devido a dificuldades pontuais nos andamentos de licitações - a Eletrobras, como empresa de economia mista, segue rigidamente a Lei 8.666 (Lei das Licitações) –, e há alguns empecilhos na liberação de licenças ambientais”, explicou a assessoria ao Contas Abertas.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O discurso de Dilma Rousseff quando lançou seu "pacote" para energia elétrica, como se vê, não consegue aos fatos. 

E como mentira tem pernas muito curtas, ao invés de cuidar de seu governo, perde tempo em tentar desqualificar o governo FHC. Não precisou´passar muito tempo para os apagões calarem a presidente. Seria bom que a soberana se esmerasse em cuidar do seu governo ao invés de cuidar de governos passados.