domingo, outubro 07, 2012

Distribuidoras dizem que novos cortes em tarifa elétrica são impossíveis


Renata Agostini
Folha de São Paulo

As distribuidoras de energia elétrica afirmam que já deram sua cota de sacrifício para a redução do preço da energia elétrica no país e que não há espaço para novas reduções, de acordo com a Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica).

Uma revisão extraordinária na tarifa das distribuidoras está prevista para fevereiro de 2013 pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e integra o pacote de medidas anunciado pela presidente Dilma Rousseff em setembro para baixar o custo da energia.

Segundo a Abradee, as empresas do setor já estão reduzindo os preços por conta do terceiro ciclo de revisão tarifária, em vigor desde o ano passado.

"As distribuidoras já estão impactadas. Não é possível reduzir mais os preços", diz Nelson Fonseca Leite, presidente da associação.

Das 63 distribuidoras do país, 23 já praticam as novas regras que, pelas contas da Abradee, levaram a uma redução de 6%, em média, na conta dos consumidores.

O cronograma do terceiro ciclo de revisão tarifária prevê que, até 2014, todas as distribuidoras estejam praticando os novos preços.

No início de setembro, a presidente Dilma Roussef anunciou a renovação das concessões para geradoras, transmissoras e distribuidoras de energia e uma redução de, em média, 20% na tarifa final para o consumidor a partir do ano que vem.

Na ocasião, ela afirmou que o corte previsto poderia ser ainda maior após a Aneel concluir estudos sobre a cadeia de distribuição.

Ao calcular o impacto do terceiro ciclo de revisão tarifária, as distribuidoras tentam impedir um corte muito alto na revisão extraordinária prevista para fevereiro.

Os números da Abradee foram encaminhados à Aneel no início da semana. Na quarta-feira que vem, a asociação terá uma audiência no Ministério de Minas e Energia para apresentar os cálculos.

"Já foi feito um trabalho para capturar tudo o que se podia em termos de modicidade tarifária. O que se fará a partir de 2013 para geração e transmissão já vem sendo feito no caso da distribuição desde 2003, quando se iniciou o primeiro ciclo de revisão. Não sei se para todo mundo do governo isso está claro", afirma Leite.

Para a Aneel, no entanto, a revisão extraordinária é inevitável e já faz parte do cronograma de trabalhos para a redução tarifária do setor.