domingo, outubro 07, 2012

Elite racial


Comentando a Notícia
Peço que o leitor atente para o texto a seguir, de Matheus Magenta para a Folha de São Paulo. Marta dê o nome que quiser, mas o Minc está prestes a praticar o racismo mais descarado.

Comentaremos em seguida: 

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Marta Suplicy sobre editais para negros: Não é racismo, é ação afirmativa

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, anunciou nesta quinta-feira (4) que a pasta lançará, em comemoração do Dia da Consciência Negra (celebrado em 20 de novembro), editais para beneficiar apenas produtores e criadores negros.

"É para negros serem prestigiados na criação, e não apenas na temática. É para premiar o criador negro, seja como ator, seja como diretor ou como dançarino", disse a ministra à Folha.

A decisão foi tomada na quinta em reunião em Brasília com a ministra Luiza Bairros (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) e com integrantes do MinC, como o presidente da Funarte (Fundação Nacional de Artes), Antonio Grassi.

Lalo de Almeida - 26.set.12/Folhapress
A ministra da Cultura, Marta Suplicy, em visita à 
30ª Bienal de São Paulo, na semana passada
A reunião foi realizada a pedido de Marta após debate, na última segunda, sobre inclusão digital em São Paulo. No evento, ela ouviu de um produtor cultural que a cultura negra é apoiada pela pasta, mas nem sempre é realizada por negros.

Para Nuno Coelho de Alcântara, representante em São Paulo da Fundação Cultural Palmares, instituição ligada ao MinC para promover e preservar a cultura afro-brasileira, um edital que condicione a seleção à raça do criador ou produtor pode "fomentar o preconceito racial".

Marta discorda. "Não é [racismo]. Isso vai como uma ação afirmativa."

A medida foi defendida por ativistas do movimento negro ouvidos pela Folha.

"Esse é o chamamento que faltava para a produção cultural negra no Brasil, que é rica e carente de apoios", afirmou Sinvaldo Firmo, do Instituto do Negro Padre Batista, de São Paulo.

Para o artista plástico Emanoel Araujo, curador do Museu Afro Brasil em São Paulo, os editais representam uma "posição política".

"Mas isso é muito bem-vindo. Como está, o Brasil parece mais a Dinamarca do que um país mestiço. Na TV, o negro sempre aparece na posição de empregado ou de chacota. O lado branco é chiquérrimo, e o outro, escravo ou ex-escravo", disse.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Existem diferentes maneiras de você praticar racismo, ou, ao contrário, praticar ações afirmativas.

Porém, o que o Ministério da Cultura irá promover,  e dê Marta Suplicy o nome que quiser, mas em bom português chama-se racismo.

Imagine que você promova um concurso, sobre qualquer temática, e que tal concurso será bancado com dinheiro público.  Ok. Mas, no edital em que serão apresentadas as condições para participar deste concurso, você imponha como exigência, que dele só poderão participar pessoas de “cor branca”. 

Imaginem o berreiro que não seria criado. De norte a sul, dez em cada dez brasileiros, independe da cor de pele, classificaria o absurdo como oficialização do racismo. 

Porém mude-se a cor da pele, ao invés de branca, exige-se que seja negra. Como se classificaria agora, “ação afirmativa”? Uma ova. Não deixa de ser racismo do esmo jeito, apenas que com viés invertido. Seria ação afirmativa se as oportunidades de participação fossem idênticas, mas criar um concurso, independente da temática, em que se escolhem os participantes pela cor de pele é absurdo. É racismo e da pior espécie: pratica-se o racismo para combater o racismo. Estupidez!

Sob qualquer ponto de vista, racismo é racismo, seja de branco em relação ao negro, seja deste em relação ao branco. Simples assim.

Creio o Nuno Coelho foi direto ao ponto: sendo representante em São Paulo da Fundação Cultural Palmares, instituição ligada ao MinC para promover e preservar a cultura afro-brasileira, um edital que condicione a seleção à raça do criador ou produtor pode "fomentar o preconceito racial". Até porque, o diferencia as pessoas é o seu caráter, e não a sua cor de pele. Não existem na espécie humana “raças”, porque só há a raça humana, com diferentes características psicossomáticas. 

Portanto, criar uma “elite” negra” e com recursos públicos ainda por cima é, sim, fomentar não apenas o preconceito racial invertido mas, entendo, que se trata de atitude ou medida inconstitucional. Afinal o dinheiro público é de TODOS. Quando pagamos impostos, o Tesouro Nacional não distingue “dinheiro de branco” do “dinheiro de negro”. 

Seria saudável que a dona Marta Suplicy refletisse um pouco melhor sobre o que pretende fazer.  Já nos basta a tentativa de censura aos livros de Monteiro Lobato, em nome de coisa nenhuma...