quinta-feira, outubro 25, 2012

Meta de inflação menor deve ser ambição do país, diz Tombini


Lilian Sobral
Exame.com

Presidente do BC disse que, antes de buscar metas mais baixas, é preciso consolidar um patamar para a inflação

Agência Brasil
Alexandre Tombini, presidente do Banco Central: 
meta de inflação convergente com parceiros comerciais deve ser ambição do país

São Paulo - Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, disse hoje que perseguir metas de inflação dos principais parceiros comerciais do Brasil (em níveis muito menores do que a brasileira) deve ser uma ambição do país.

Ao participar em São Paulo do ciclo de palestras e almoços Encontros EXAME, Tombini disse que, após oito anos consecutivos de objetivos cumpridos na inflação, o Regime de Metas se consolidou.

Porém, ao ser perguntado se o país não deveria perseguir metas como de outros países que também adotam o regime, mas buscam manter a inflação num patamar por volta dos 2%, Tombini disse que defende desde o início de sua administração que o país deve ter a ambição de fazer com que a inflação seja mais parecida com a de seus principais parceiros comerciais. “Acredito que isso, no médio e longo prazo, faria diferença. Mas nesse momento, temos que consolidar um patamar”, disse.

O presidente do Banco Central ressaltou que há países com metas de inflação mais alta do que a brasileira, e que a do país estava no mesmo patamar dos outros BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China).

A meta de inflação no Brasil para 2012 é de 4,5%, com teto em 6,5%.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O combate à inflação não pode, de maneira alguma, ser deixado de lado em nenhuma hipótese. Infelizmente, isto vem acontecendo no governo Dilma. Imagina-se que um pouco inflação é suportável diante do crescimento econômico. Acontece que tal política não tem provocado os resultados que o governo imagina possível. O crescimento tem sido baixo, e baixo aqui sob qualquer ângulo que se analise inclusive em comparação com os demais países, e a inflação resiste e se mantém relativamente alta para um período de desaceleração econômica. Isto deveria sinalizar às autoridades econômicas  uma espécie de alerta vermelho no sentido de alguma mudança de planos. Porém, com o discurso aparente de que a meta de inflação é uma ambição não se ajusta com medidas que assinalem nesta direção. 

Agora, apostam-se todas as fichas para 2013, e tal aposta já vem ocorrendo antes mesmo de iniciar-se o segundo semestre de...2012. Vamos ver quais serão as desculpas que o governo federal irá tentar vender ao país se as tais fichas se mostrarem furadas. E um detalhe: não há crescimento econômico sem investimentos. E, neste campo, o governo federal está muito aquém das reais e imediatas necessidades do país. Assim, o afrouxamento nos controles de inflação não resolverão nossos problemas maiores e nem afastarão os entraves impeditivos de crescimento. Neste caso, a tal inflação “moderada”, senhores, só serve para provocar desarranjos e perda de renda para as famílias o que, a seu turno, reduz a capacidade de consumo, que parece ser a única meta visível das políticas e medidas implementadas pelo governo Dilma. Para um país com o nosso potencial, e com as inúmeras oportunidades batendo à porta, convenhamos, é muito pouco.  Diria até, é quase nada.