Valor
A diferença de preço (spread) entre as ações ON e PN da Petrobras atingiu nesta sexta-feira (16) seu menor valor em dez anos. Durante o pregão, essa diferença chegou à casa de R$ 0,40, marca que, em termos absolutos, não era vista desde novembro de 2002.
Vale ressalvar que, naquela época, as ações valiam cerca de R$ 3,50, ou seja, menos de um quinto do preço atual. Portanto, proporcionalmente à cotação do papel, é como se a diferença atual fosse de apenas R$ 0,08 naquela época. Logo, trata-se do menor spread da história da companhia.
No fim do dia, alguns investidores aproveitaram o fato e “arbitraram” entre os papéis, o que fez a diferença abrir novamente, para a casa de R$ 0,60, ainda assim um patamar muito abaixo da média.
Historicamente, o spread entre os papéis da Petrobras sempre foi superior a R$ 1,50, com pico de R$ 9,40 em maio de 2008, época da descoberta da reserva gigante de petróleo do pré-sal da Bacia de Santos.
O fato é que a ação ON vem caindo, nos últimos meses, em ritmo mais acelerado do que a PN, o que fez a diferença entre as duas cotações recuar drasticamente. Dois fatores explicam o movimento, que está ligado a um tipo específico de investidor: o estrangeiro.
De um lado, o problema reside na própria Petrobras. A mão intervencionista do governo impede que a companhia reajuste os combustíveis, o que afetou consideravelmente seus resultados nos últimos tempos, a ponto de a empresa trazer prejuízo no segundo trimestre.
Outra questão é que as ações da Petrobras, particularmente as ordinárias, são um veículo natural de investimento dos estrangeiros no mercado brasileiro. Em tempos de aversão ao risco, ações como Vale e Petrobras sofrem vendas pesadas, com investidores batendo em retirada para ativos de menor risco.
Junta-se a esses dois elementos o fato de as ações ON, de forma geral, apresentarem liquidez menor do que as PN no Brasil. No exterior, ao contrário, os estrangeiros estão mais acostumados a negociar as “common shares”, como são conhecidas as ordinárias, do que as “preferred”, ou preferenciais.
Como os mercados mundiais estão integrados, o maior volume de vendas de ADRs (recibos de ações negociados no mercado americano) lastreados em ON acaba pressionando o ativo com mais força por aqui, que não encontra o mesmo respaldo de liquidez que a PN.