Antônio Teodoro
O setor agrícola brasileiro apresenta evoluções importantes, apoiados pela intensificação de capital e por maior utilização de recursos de maquinários, com destaque para a Embrapa
Na última semana, o IBGE, apresentou novas informações sobre o Atlas do Espaço Rural Brasileiro, trazendo informações importantes sobre a situação do setor agrícola nacional, correlacionando suas informações ao avançar do cenário econômico nacional.
Os números traduzem uma evolução importante, que mesmo sem o apoio devido do governo através de políticas públicas de desenvolvimento rural, conseguiu avançar, ampliando sua atuação em todo o país e apresentando novas rotas de crescimento.
Segundo o IBGE, "máquinas e insumos agrícolas marcaram a modernização da agricultura, mas na atual fase do processo destaca-se o consumo intensivo de capital intelectual (que congrega uma série de habilidades, competências, informações, conhecimentos, bancos de dados e técnicas)."
A percepção de que novas oportunidades foram abertas no agronegócio se confirmou via o estudo, porém, ainda não apresentamos um nível forte de produtividade frente aos patamares atingidos pelos países desenvolvidos.
Um importante indicador e que merece ser considerado é a percepção de maior utilização de capacidades técnicas alinhadas as fazendas. Isso transmite certo grau de profissionalização, eficiência e dedicação as atividades agrícolas.
Outra análise é que, a disponibilidade de crédito que antes apenas se restringiam a alguns produtores, hoje se aplica de forma mais abrangente, e, o que antes era motivação para comprar bens não ligados a produção, hoje parece ser canalizado de forma mais intensa para a ampliação do agronegócio e garantir maiores retornos.
O acesso as linhas de crédito garantem o acesso a melhores máquinas, e o crescimento econômico brasileiro trouxe ao centro novas empresas com interesses em produzir seus equipamentos em solo nacional.
O crescimento agrícola aponta no sentido do centro-oeste, norte e nordeste brasileiro, seguindo as rotas antecedentes de industrialização e urbanização. Cabe aqui uma discussão: se um estágio menos desenvolvido agrícola é fator decisivo e antecedente para a formação das cidades ou se o desenvolvimento das cidades e centros urbanos é que atraem o agronegócio? Ou se as duas relações se integram, complementam e são indissociáveis. Prometo em outro momento ampliarmos esta excelente discussão.
Esta quebra do que antigamente se tinha como uma longínqua fronteira agrícola, é resultado das diferenças dos preços de terras e insumos entre o sul, sudeste e o centro-norte brasileiro. Alem disso, com o crescimento da economia e a melhora da infraestrutura de escoamento (mesmo que pequena), as antigas fronteiras agrícolas se mostram mais próximas e mais rentáveis que antes. O escoamento produtivo ainda é ineficiente, porém, em menor grau que a 10 anos atrás, mesmo porquê, novos veículos e novas tecnologias foram agregadas a cadeia produtiva.
Pelo lado da rentabilidade, o incremento de capital intensivo com um ganho marginal muito alto garante a nova entrada de recursos e os novos investimentos. Assim como apontado pelo economista Raghuram Rajan, o baixo nível de máquinas no setor agrícola brasileiro garante boas margens de ganhos, visto que qualquer substituição básica de capital garante melhorias de produtividade, margens altas. Em outras nações, a substituição elevaria a produtividade, mas a taxas menores, o que reduz a taxa de atratividade da operação.
O problema é que, ainda estamos atrasados, e nossos concorrentes internacionais, já estão com um grau de utilização intensiva anos à frente, com um mercado estabelecido e contratos de fornecimento bem amarrados.
É importante destacar que, mesmo tendo crescido os níveis de empresas agrícolas/fazendas profissionalizadas, a maior parte do setor está ligado as famílias, porém, apenas em quantidade de estabelecimentos.
Conforme o estudo do IBGE, "a agricultura familiar, apesar de abranger 4,4 milhões de estabelecimentos agropecuários do país (84,4%), cobria apenas 80 milhões de hectares, 24,3% da área. A área média dos estabelecimentos com agricultura familiar era de 18,3 hectares, enquanto a dos com agricultura não familiar era de 330 hectares."
A tendência é que se reduzam as áreas familiares, que poderão seguir o caminho das cidades buscando alternativas de vida ou por simplesmente terem aceitado às ofertas por suas terras.
Enfim, o setor agrícola apresenta evoluções importantes, apoiados pela intensificação de capital e por maior utilização de recursos de maquinários. Destaco ainda o excelente trabalhão desempenhado pela EMBRAPA, que mesmo não constando de maiores informações no estudo do IBGE, garante a variabilidade de espécies e pesquisas de melhoria de nossas lavouras.
Antônio Teodoro. Economista e Professor.