sábado, novembro 03, 2012

Reajuste de combustível pode coincidir com corte de tarifa de energia

Mitchel Diniz 
Valor

SÃO PAULO - A defasagem no preço dos combustíveis, um dos motivos do desempenho mais fraco da Petrobras no terceiro trimestre, poderá ser amenizada apenas no início do ano que vem. A avaliação é de Erick Scott, analista de investimentos da corretora SLW, que acredita que um novo reajuste no valor do diesel e da gasolina deve coincidir com a redução das tarifas de energia elétrica, em vigor a partir de janeiro.

“O governo está tirando de um lado para por do outro, para que a inflação tenha um efeito mais neutro para o consumidor”, explica Scott.

Para ele,  um aumento no fim de dezembro ou começo de janeiro seria mais “prudente” e estaria mais em linha com o discurso anti-inflacionário do governo.

As tarifas de energia elétrica para o consumidor final vão cair 16,2% para o consumidor residencial e de 19% a 28% para as indústrias. Scott estima reajuste de 5% a 10% no diesel e de 7% a 10% na gasolina.

A defasagem de preços de combustíveis no mercado interno em relação ao exterior impediu que o aumento da receita da Petrobras fosse além dos R$ 73,79 bilhões faturados no terceiro trimestre. O crescimento no período, de 16% na comparação anual, foi inferior ao avanço de 28% dos custos, para R$ 55,71 bilhões. O lucro líquido caiu 12%, em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 5,57 bilhões.

O analista da SLW engrossa o coro de outros profissionais do mercado e diz que, além de enfrentar a defasagem de preço dos combustíveis, a Petrobras também vai ter que concretizar suas metas de produção.

Em setembro, a estatal produziu 1,844 milhão de barris de óleo equivalente e teve o pior desempenho em um mês desde 2008. A redução de 3% em relação à média do trimestre anterior refletiu no aumento dos custos de extração e refino.

“À medida que a companhia aumente a produção e consiga diminuir a defasagem de preço entre os mercados a tendência é de redução de custos e aumento de margem”, diz Erick Scott que espera ver custos menores nos próximos trimestres. “Pelo terceiro ano seguido a companhia não vem atingindo meta de produção, então uma companhia que investe o que ela investe tem que conseguir aumentar a produção, pra entregar valor ao acionista minoritário”, conclui.