Adelson Elias Vasconcellos
Além da aprovação da MP 579 do setor elétrico, feita de forma açodada e sem debates, sem estudos, sem avaliações mais detalhadas (e necessárias), o Congresso Nacional promete aprovar um pacote de mais de 3 mil vetos presidenciais, que estão mofando nas gavetas da politicalha a espera de aprovação.
Tudo para livrar a agenda com vistas a desobstruir os obstáculos regimentais que impedem que se votem os vetos de Dilma Rousseff à MP dos royalties do petróleo que, a se guarida ao ambiente atual dentre os parlamentares, tem tudo para acabar na Justiça – leia-se STF – e retardando ainda mais os investimentos na área de petróleo.
Dentre os vetos à espera de análise, está o que trata do Código florestal, com os vetos de Dilma.
Agora digam lá: pode um Congresso, com a estrutura que tem, com os salários e privilégios que assiste a cada parlamentar, segurar nas gavetas, mais de 3.000 vetos presidenciais, por mais de dez anos, algumas do tempo ainda de FHC? Que tipos de vagabundo os eleitores estão colocando lá?
Claro que Lula e Dilma, mas também os governos anteriores a eles, se valem das medidas provisórias para dar velocidade na implantação de reformas e programas. Porém, Lula, especialmente, exagerou na dose. Pode-se dizer que ele governou praticamente sem oposição e muito menos sem um legislativo fiscalizador de seus atos. O prejuízo para o país é colossal quando um poder, Executivo, sufoca as atribuições de outro poder, no caso, o Legislativo.
Agora, a ganância e falta de vergonha na cara destes vagabundos, vamos jogar as leis e contratos no lixo, e vamos aprovar sem nenhuma forma de avaliação, mais de três mil vetos, jogando o país num mar de insegurança jurídica jamais vista em sua história.
É impressionante esta falta de comprometimento não apenas com a própria responsabilidade de representação popular mas, .sobretudo, com o próprio interesse do país. Nossa classe política nunca foi lá essas coisas, muito embora nossa história recente registre a presença de verdadeiros brasileiros devotados aos interesses do país. A CPI do Cachoeira, depois de oito meses, terminar da forma como terminou, é bem a prova do flagelo em que mergulho o Congresso.
Porém, como nunca visto na história, o comportamento da classe política atual é vergonhoso e constrangedor. Definitivamente, estamos abrindo mão da seriedade, responsabilidade e decência da vida pública. Seguimos ladeira abaixo. Estamos jogando fora o pouco de modernidade obtida na segunda metade da década de 90.
E o que é pior: não se enxerga, no horizonte mais próximo, nenhuma tendência ou alternativa de mudança positiva. Como a recuperação da economia mundial está longe de se alcançar, não podemos nem contar com esta “opção” como meio de ser carregados nas costas, como aconteceu entre 2003 a 2007. Estamos construindo não uma nação de homens sérios, mas de um imenso exército de babacas idiotizados comandados por um grupo de velhacos, espertalhões e inconsequentes.
Alguém aí falou em interesses do país? Por certo, não estaria se referindo aos doutos parlamentares brasileiros. Para esta raça, interesses do país sempre vem depois dos interesses deles. Se der para coincidir um com outro, tanto faz. Mas eles, sempre eles, em primeiríssimo lugar.
