quarta-feira, dezembro 19, 2012

Dinheiro 'sujo' priva países em desenvolvimento de US$ 6 tri


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Com agência Reuters 

Criminalidade, corrupção e sonegação atingem principalmente os mais pobres

(Vanessa Carvalho/AFP)
Manifestantes protestam em Brasília contra a corrupção

A criminalidade, a corrupção e a sonegação fiscal custaram quase 6 trilhões de dólares aos países em desenvolvimento na última década, e a quantia continua crescendo, principalmente na China, afirma a entidade fiscalizadora Integridade Financeira Global (GFI, sigla em inglês), com sede em Washington, em novo relatório.

A China foi a origem de quase metade dos 858,8 bilhões de dólares em "dinheiro sujo" transferidos para paraísos fiscais e bancos ocidentais em 2010 - o que representa pelo menos oito vezes mais do que os segundos colocados, Malásia e México. O fluxo total de valores ilícitos cresceu 11% em relação ao ano anterior.

"Somas astronômicas de dinheiro sujo continuam fluindo do mundo em desenvolvimento para paraísos fiscais 'offshore' e bancos de países desenvolvidos", disse Raymond Baker, diretor da organização. "Os países em desenvolvimento sofrem uma hemorragia cada vez maior de dinheiro, num momento em que nações ricas e pobres tentam igualmente estimular o crescimento econômico."

Para Baker, o relatório deve ser um visto como um alerta para aos líderes mundiais fazerem mais para resolver a questão. Índia, Nigéria e Filipinas entraram neste ano para o "top 10" da fuga de capitais ilícitos. Todos os países nesse grupo enfrentam graves problemas de corrupção, e na maioria deles há também vastas desigualdades sociais e problemas de segurança interna.

Reação - 
Os líderes do G20 (grupo das 20 maiores economias mundiais) têm discutido formas de reprimir a lavagem de dinheiro, o sigilo bancário e brechas tributárias, a fim de evitar que a corrupção e outros crimes esvaziem os cofres dos países em desenvolvimento. Para que se tenha uma ideia do volume envolvido, a cada dólar de ajuda internacional direta, dez dólares saem dos países em desenvolvimento.

A China perdeu 420,4 bilhões de dólares em 2010, e o total em uma década chega a 2,74 trilhões de dólares. Ciente do impacto desestabilizador da corrupção, os líderes chineses decidiram colocar o tema em pauta. O presidente Hu Jintao recentemente alertou que a corrupção poderá destruir o estado chinês e seu regime comunista.

"Nosso relatório continua demonstrando que a economia chinesa é uma bomba-relógio", disse Dev Kar, economista-chefe da GFI, que compilou o relatório. "A ordem social, política e econômica naquele país não é sustentável em longo prazo, dada a enorme fuga de quantias ilícitas."