Janaína Figueiredo
O Globo
Senador argentino diz que perseguição ao ‘Clarín’ é pretexto do governo Kirchner para criar um modelo autoritário
BUENOS AIRES – Depois de a Corte Suprema rejeitar pedido da Casa Rosada para anular uma decisão da Câmara Civil e Comercial sobre a Lei de Meios, o que favoreceu o “Clarín”, o governo Kirchner enviou nesta terça-feira um novo recurso à Câmara, insistindo em sua posição. O senador radical Ernesto Sanz, um dos promotores do Compromisso Democrático, acordo que uniu a oposição na Argentina contra a Lei de Meios, diz que a caça ao “Clarín” é só o começo.
A reação dos juízes de todo o país o surpreendeu?
Não, a Justiça não reagiu tanto pela Lei de Meios, mas sim para frear um avanço do governo que afetaria sua independência. Políticos e juízes decidimos impor limites ao autoritarismo da presidente Cristina Kirchner.
Por que o governo quer tanto a Lei de Meios?
Porque quer construir um relato artificial sobre nossa realidade e precisa dos meios de comunicação para isso. O “Clarín” é a ponta do iceberg, a desculpa usada pelo governo para consolidar um modelo populista, autoritário e hegemônico.
Para analistas, o governo quer a lei para reeleger Cristina em 2015...
Este modelo de poder só seguirá adiante com a perpetuação da presidente. O plano continua sendo destruir o “Clarín”, controlar a mídia através dos recursos da publicidade oficial, vencer as legislativas de 2013, controlar o Congresso e reformar a Constituição. Cristina não contava com uma Justiça independente.
A decisão final será da Corte Suprema?
Sim, e por isso a estratégia do governo é deslegitimar os membros do máximo tribunal que, segundo ele, não lhe dão respaldo.