quarta-feira, dezembro 12, 2012

O apego ao bolso alheio


Adelson Elias Vasconcellos

O amor das esquerdas por estatais é algo incrível. Para quem adora cobrar cachê dos militantes atuantes em estatais e demais órgãos da administração pública, inclusive no Congresso, quanto maior o gigantismo do Estado, maior será a receita “extraordinária” que entrará no caixa do partido.Este apego ao bolso alheio é inerente a esta gente, está incrustado em seu DNA. 

A grande maioria dos servidores públicos são honestos e trabalhadores, muito embora sendo conduzidos para um ponto em que a acomodação fará, ainda, um enorme estrago. Impossível que altos salários e com estabilidade no emprego, não provoquem este conflito: “trabalhar e me esforçar para quê?”.

Com a chegada do PT no Planalto, iniciou-se um processo para se transformar toda uma geração de servidores em caso perdido. Foram elevados à categoria de elite estatal, sem que a contrapartida em atendimento à população lhe seja cobrado. 

Há sim um exército de servidores que ganham mal, trabalham em ambientes praticamente insalubres dada às más condições de seus locais de trabalho. Mas estes vão se tornando raridade. Chegará o momento em que o país um dia precisará meter a mão neste vespeiro, porque faltará dinheiro para bancar as delícias desta elite.

Olhando-se para a administração pública como saborosa fonte de receitas, Lula empreendeu um aparelhamento muitas vezes denunciado, porém sem que ninguém tomasse uma única iniciativa decente para trancar sua progressão. 

Não só isso: voltou a criar estatais inúteis apenas para servir de cabideiro de emprego inútil, com salários altíssimos e muito companheiro nomeados de favor,  garantindo assim que a corrente financeira pudesse se sustentar por longo período. 

A denúncia que o Estadão trouxe à tona hoje, sobre os pedágios cobrados nos contratos de publicidade do Banco do Brasil para o caixa petista, nem deveria ser novidade. Há tempos, desde que o PT nasceu, em tudo que toca, o partido cobra pedágios, sejam de fornecedores ou prestadores de serviços.

Enquanto se manteve como executivo municipal apenas, isto sempre foi motivo de denúncias como bem acabou sabendo o ex-prefeito Celso Daniel. Quando quis cair fora, deu no que deu. Empresas de transporte coletivo e recolhedoras de lixo nas cidades administradas pelo PT sabem como o esquema funciona. Novidade? Só para aqueles totalmente alienados do que se passa à sua volta.

Nos governos estaduais o esquema se amplia, e vejam com que facilidade se ampliam quadros de servidores “nomeados”, se criam novas estruturas administrativas e, claro, sempre ocupadas, loteadas e aparelhadas pelos companheiros. Tudo isto reverte em novos pedágios para fazer crescer o bolo das receitas extraordinárias. A facilidade com que se manipula dinheiro público para estas estruturas partidárias de poder sempre serviram para, de um lado, abastecer o caixa do partido, de outro, para manter a companheirada empregada. Mas, no fundo, o que sempre acontece é desperdício e engessamento da máquina pública. Nada anda, nada acontece, tudo fica atado, amarrado num burocracia infernal em que o contribuinte, se for empresa, acaba caindo na armadilha e cede à tentação de perguntar quanto custa desatar o nó para que seus pedidos, processos, certidões, licenças  e outras milongas mais sejam destravados.

Se a gente for fazer uma análise bem profunda sobre o aumento indiscriminado de esquemas de corrupção hoje espalhadas por toda a máquina pública, vai encontrar certamente o aparelhamento em nome do caixa do partido, com a criação de esquemas de burocracia estúpida, alimentando estes canais ilegais e imorais.

Juntando-se todas as peças contidas nas revelações feitas por Marcos Valério, impossível para quem for isento politicamente, utilizando-se apenas do que é fato concreto,  não considerar que nestas revelações não haja combustível bastante para abrir-se novas investigações.  Digo acima e repito aqui: Cachoeira, mensalão e Porto Seguro, são dinamite pura. Um bom promotor, imbuído do mais alto espírito republicano e de justiça, querendo, pode esmiuçar estes três esquemas revirando-os do avesso para mostrar ao país, finalmente, o que um governo comandado pelo petismo é capaz de aprontar. 

Senhores: o que vimos no mensalão é pinto perto do que seriam as revelações de esquemas do Cachoeira, Porto Seguro e outras revelações que explodiriam em uma mensalão versão 2.0. E, em todas ditaduras e governos de esquerda, infelizmente, tais realidades são repetecos ao longo da história. Acabam caindo devido a podridão de suas bases e da cultura de devassidão corrupta implementadas nas esferas dos Estado em que se instalaram.

Não pensem que esta discurseira toda que se ouve vinda dos petistas, aliados políticos, cúmplices empresariais, imprensa rendida em favor de desqualificar acusadores e barrar ao extremo qualquer iniciativa de investigação é porque sejam todos puros e absolutos donos da verdade. Pelo contrário: o desespero que se revela em sua máxima voltagem indica justamente o contrário. Temem terem revelados seus esquemas de submundo.

O Brasil demorou 25 anos para se livrar da ditadura militar e esta só caiu, dada a podridão que foi se instalando no poder e que a sociedade já não podia mais suportar. O PT pode demorar até mais tempo no poder, mas certamente será a própria sociedade que amadurecerá e os alijará de lá, porque não há riqueza suficiente que baste para alimentar a ganância com que esta corja vagabunda se alimenta.   

Por isto, o Brasil só amadurecerá suficiente como nação, dando um decisivo passo para se tornar séria e desenvolvida, no dia em que expurgar do seio do poder todo este batalhão de malfeitores, canalhas, patifes de todos os níveis, vigaristas, malandros, velhacos, que escravizam todo um povo em nome de si mesmos, da sua infinita compulsão à apropriação do fruto do trabalho alheio e que podemos classificá-los apenas como gigolôs da nação.  Cedo ou tarde, custe o que custar, seu poder se extinguirá. Acabar com a raça, infelizmente, será impossível, mas por um fim à sua ação predadora, ah!, isto sim é bem possível de se conseguir. Que não demoremos demasiado tempo para este dia chegar. 

Por enquanto, o que se percebe é que as operações tapa-buracos tem conseguido evitar o pior para o petismo. Mas chegará o momento em que serão tantos os buracos que nada mais segurará a explosão da verdade.